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PROPOSTA ESTILO FUVEST

''Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar essa pessoa de nossos sonhos e abraçá-la'', escreveu Clarice Lispector em momento sincero de narrador confessional..
Seres gregários, afetivos, costumamos sofrer em prolongados dias sem contato com nossos pares. E, hoje, na era de capitalismo avançado, de correria atrás da sobrevivência, tornou-se comum o tempo exíguo e o diminuto contato com os outros.
É claro que há quem aprecie estar só, unicamente, para refletir sobre a vida, sobre si mesmo e para exercer o que Sócrates uma vez propôs: "Conhece-te a ti mesmo'.
Mas esta dissertação recorta a solidão dolorida, a que pode levar à depressão e até ao suicídio. Nesse sentido, a proposta direciona-se à reflexão: será que as redes sociais - que permitem que nos comuniquemos o tempo todo; que abrem espaço para confidenciar nossos queixumes, ou até para exibirmos nossas façanhas e belezuras - conseguem minorar nossa triste sina de seres solitários?
Bom trabalho!
* Usei fragmentos de um único texto de conteúdo riquíssimo. Leia-o e escreva. Bom trabalho!
Investigações sociobiológicas revelam só sermos capazes de manter relações sociais relativamente estáveis com um determinado número de indivíduos; quando o limite máximo é largamente ultrapassado, como acontece em tantas redes sociais, deixamos de conseguir gerir a relação e de garantir a sua qualidade/viabilidade. De tal maneira, que os algoritmos das redes sociais aproximam (tornam virtualmente mais visíveis) as pessoas com quem mais interagimos e afastam (tornam virtualmente menos visíveis) aquelas com quem interagimos menos, ou nunca. 9 Os trabalhos levados a cabo por Robin Ian MacDonald Dunbar, antropólogo e psicólogo britânico 10 , foram fundamentais para o entendimento desta questão na sociabilidade física. O cientista estudou a relação entre o número de organismos incluídos nos grupos sociais de espécies primatas (como a do Homem – Homo sapiens sapiens) e a dimensão do neocórtex cerebral. A função desta parte do cérebro está envolvida no discernimento, dado que controla os instintos e as emoções exageradas. Dunbar chegou à conclusão de que a generalidade dos humanos não suporta mais de, aproximadamente, 150 relações individuais. Esta hipótese, levantada pelo psicólogo na década de 90, é hoje conhecida como número de Dunbar. Evidentemente, cada pessoa tem uma capacidade cognitiva característica, à qual corresponde uma margem mais ou menos abrangente, que pode variar, teoricamente, entre 100 e 230 relações individuais. Trata-se de uma limitação biológica que, num estudo mais aprofundado, talvez possa ser relacionada com o passado evolutivo do Homem (...).
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O utilizador de redes sociais procura, fundamentalmente, aparecer e ser reconhecido pelos seus pares, mesmo que prefira recorrer a um pseudônimo ou ao anonimato. Curiosamente, parece conhecer a resposta de Woody Allen à pergunta sobre o segredo do seu sucesso: “aparecer”. Paul Arden também aconselha esta atitude, ao recomendar: «Se não tiver qualificações ou dinheiro para ir para a universidade, simplesmente apareça. (.... Editado).
(...)
O Homem de hoje entra, sem ter de pedir licença, em qualquer fórum que lhe forneça a emoção da qual parece depender para se confrontar com o mundo do trabalho, da família ou da cidadania. Os conhecimentos adquiridos nos sistemas online dos media e das redes sociais fazem-no sentir-se com o prestígio de estar informado e de se sentir apto a emitir a sua opinião sobre acontecimentos que, de outra forma, não teria possibilidade (nem autoridade) para comentar. Simultaneamente, a possibilidade de anonimato e de subversão total ou parcial da própria vida que as redes sociais oferecem permitem-lhe mostrar ao mundo uma realidade manipulada e selecionada, que lhe confere uma posição social perante os outros membros da rede.
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«O coração humano recusa-se a acreditar num universo sem uma finalidade.», Kant. Estar em contato com o que os amigos e a família fazem é a principal razão para o uso das redes sociais. Foi esta a opção selecionada por 55% dos participantes de um estudo 14 do Global Web Index, em 2014, com internautas de 16 a 64 anos. O segundo maior impulsionador do uso de plataformas virtuais parece ser a vontade de estar atualizado em relação a notícias e eventos. Das dez opções oferecidas, a menos escolhida foi "para partilhar detalhes do que faço no meu dia a dia", assim como “para conhecer novas pessoas".
A pergunta-chave (...) dá a entender que o uso das redes sociais e a solidão se unem através de um agente que estabelece uma conexão causal. À causa é atribuída a responsabilidade da existência do efeito, pelo que o efeito depende da causa. A pergunta remete ainda para a ideia de que o efeito deriva de uma única causa. Sendo assim, a utilização das redes sociais seria a causa exclusiva de ficarmos sós, ou o facto de ficarmos sós seria, por si só, a causa de usarmos as redes sociais. Adaptado.
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Os ignorantes podem usá-las para se cruzarem com eruditos. Nenhum deles domina o outro. Cada um oferece o que pode e tem para oferecer, porque é isso que a plataforma promove e é isso que ela permite. Usamos as redes sociais para nos tornarmos cosmopolitas. Para irradiarmos conhecimento ou apenas para acedermos a informação. Para atrairmos pessoas e para sermos atraídos por pessoas. Para testarmos novas correntes literárias. Para podermos participar na democracia, na economia, na ciência. É este o encontro que as redes sociais viabilizam. Não são elas que desincentivam a partilha e a comunicação. Não são elas que promovem a solidão. Em filosofia, discute-se a possibilidade de existir uma relação causal entre o motivo ou a intenção e a respetiva ação, bem como a questão de uma delas ser a causa e a outra o efeito. À partida, parece fácil conceber a intenção como causa da ação, que seria o resultado pretendido, o efeito. No disjuntivo “usamos as redes sociais porque ficamos sós”, ficarmos sós é a causa de usarmos as redes sociais. Já no disjuntivo “ficamos sós porque usamos as redes sociais”, usarmos as redes sociais é a causa de ficarmos sós. Esta inversão confunde-nos e confronta-nos com uma falsa situação que parece não respeitar a noção de causalidade. Todavia, tal não é o caso, dado que se trata de duas perguntas independentes uma da outra. E agora, a causalidade: usamo-las porque são o meio que encontramos para alcançar tudo o que foi enumerado. Para atingir um fim. Usamos as redes socias porque são pontos de encontro. Porque são escalas de desvarios, como o são as cidades. Porque são motores de informação, de produção e de progresso. Porque são uma fonte de informação utilitária e da própria consciência de pertença a um espaço físico. Porque são uma comunidade precisa. Porque são centros naturais de edição, são os novos jornais, os novos livros. Porque, atualmente, são o centro mais acessível de informação. Não as usamos porque “ficamos sós”.
***
Em tempos, acreditou-se que o telefone iria prejudicar a cidade. Contudo, o que aconteceu, tal como o que acontece hoje com as redes sociais e com todas as novas tecnologias de comunicação que surgem, foi o aparecimento da possibilidade de nos relacionarmos de uma forma mais frequente: maior facilidade, mais tempo de contacto. A marcha da humanidade tende, cada vez mais, a orientar-se para esta procura de contacto fácil e frequente. E são as redes sociais que nos empurram para a criação de um mundo mais conectado. São fundamentais, porque não há partilha nem comunicação sem elos de contacto.
PROPOSTA ESTILO FUVEST

''Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar essa pessoa de nossos sonhos e abraçá-la'', escreveu Clarice Lispector em momento sincero de narrador confessional..
Seres gregários, afetivos, costumamos sofrer em prolongados dias sem contato com nossos pares. E, hoje, na era de capitalismo avançado, de correria atrás da sobrevivência, tornou-se comum o tempo exíguo e o diminuto contato com os outros.
É claro que há quem aprecie estar só, unicamente, para refletir sobre a vida, sobre si mesmo e para exercer o que Sócrates uma vez propôs: "Conhece-te a ti mesmo'.
Mas esta dissertação recorta a solidão dolorida, a que pode levar à depressão e até ao suicídio. Nesse sentido, a proposta direciona-se à reflexão: será que as redes sociais - que permitem que nos comuniquemos o tempo todo; que abrem espaço para confidenciar nossos queixumes, ou até para exibirmos nossas façanhas e belezuras - conseguem minorar nossa triste sina de seres solitários?
Bom trabalho!
* Usei fragmentos de um único texto de conteúdo riquíssimo. Leia-o e escreva. Bom trabalho!
Investigações sociobiológicas revelam só sermos capazes de manter relações sociais relativamente estáveis com um determinado número de indivíduos; quando o limite máximo é largamente ultrapassado, como acontece em tantas redes sociais, deixamos de conseguir gerir a relação e de garantir a sua qualidade/viabilidade. De tal maneira, que os algoritmos das redes sociais aproximam (tornam virtualmente mais visíveis) as pessoas com quem mais interagimos e afastam (tornam virtualmente menos visíveis) aquelas com quem interagimos menos, ou nunca. 9 Os trabalhos levados a cabo por Robin Ian MacDonald Dunbar, antropólogo e psicólogo britânico 10 , foram fundamentais para o entendimento desta questão na sociabilidade física. O cientista estudou a relação entre o número de organismos incluídos nos grupos sociais de espécies primatas (como a do Homem – Homo sapiens sapiens) e a dimensão do neocórtex cerebral. A função desta parte do cérebro está envolvida no discernimento, dado que controla os instintos e as emoções exageradas. Dunbar chegou à conclusão de que a generalidade dos humanos não suporta mais de, aproximadamente, 150 relações individuais. Esta hipótese, levantada pelo psicólogo na década de 90, é hoje conhecida como número de Dunbar. Evidentemente, cada pessoa tem uma capacidade cognitiva característica, à qual corresponde uma margem mais ou menos abrangente, que pode variar, teoricamente, entre 100 e 230 relações individuais. Trata-se de uma limitação biológica que, num estudo mais aprofundado, talvez possa ser relacionada com o passado evolutivo do Homem (...).
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O utilizador de redes sociais procura, fundamentalmente, aparecer e ser reconhecido pelos seus pares, mesmo que prefira recorrer a um pseudônimo ou ao anonimato. Curiosamente, parece conhecer a resposta de Woody Allen à pergunta sobre o segredo do seu sucesso: “aparecer”. Paul Arden também aconselha esta atitude, ao recomendar: «Se não tiver qualificações ou dinheiro para ir para a universidade, simplesmente apareça. (.... Editado).
(...)
O Homem de hoje entra, sem ter de pedir licença, em qualquer fórum que lhe forneça a emoção da qual parece depender para se confrontar com o mundo do trabalho, da família ou da cidadania. Os conhecimentos adquiridos nos sistemas online dos media e das redes sociais fazem-no sentir-se com o prestígio de estar informado e de se sentir apto a emitir a sua opinião sobre acontecimentos que, de outra forma, não teria possibilidade (nem autoridade) para comentar. Simultaneamente, a possibilidade de anonimato e de subversão total ou parcial da própria vida que as redes sociais oferecem permitem-lhe mostrar ao mundo uma realidade manipulada e selecionada, que lhe confere uma posição social perante os outros membros da rede.
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«O coração humano recusa-se a acreditar num universo sem uma finalidade.», Kant. Estar em contato com o que os amigos e a família fazem é a principal razão para o uso das redes sociais. Foi esta a opção selecionada por 55% dos participantes de um estudo 14 do Global Web Index, em 2014, com internautas de 16 a 64 anos. O segundo maior impulsionador do uso de plataformas virtuais parece ser a vontade de estar atualizado em relação a notícias e eventos. Das dez opções oferecidas, a menos escolhida foi "para partilhar detalhes do que faço no meu dia a dia", assim como “para conhecer novas pessoas".
A pergunta-chave (...) dá a entender que o uso das redes sociais e a solidão se unem através de um agente que estabelece uma conexão causal. À causa é atribuída a responsabilidade da existência do efeito, pelo que o efeito depende da causa. A pergunta remete ainda para a ideia de que o efeito deriva de uma única causa. Sendo assim, a utilização das redes sociais seria a causa exclusiva de ficarmos sós, ou o facto de ficarmos sós seria, por si só, a causa de usarmos as redes sociais. Adaptado.
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Os ignorantes podem usá-las para se cruzarem com eruditos. Nenhum deles domina o outro. Cada um oferece o que pode e tem para oferecer, porque é isso que a plataforma promove e é isso que ela permite. Usamos as redes sociais para nos tornarmos cosmopolitas. Para irradiarmos conhecimento ou apenas para acedermos a informação. Para atrairmos pessoas e para sermos atraídos por pessoas. Para testarmos novas correntes literárias. Para podermos participar na democracia, na economia, na ciência. É este o encontro que as redes sociais viabilizam. Não são elas que desincentivam a partilha e a comunicação. Não são elas que promovem a solidão. Em filosofia, discute-se a possibilidade de existir uma relação causal entre o motivo ou a intenção e a respetiva ação, bem como a questão de uma delas ser a causa e a outra o efeito. À partida, parece fácil conceber a intenção como causa da ação, que seria o resultado pretendido, o efeito. No disjuntivo “usamos as redes sociais porque ficamos sós”, ficarmos sós é a causa de usarmos as redes sociais. Já no disjuntivo “ficamos sós porque usamos as redes sociais”, usarmos as redes sociais é a causa de ficarmos sós. Esta inversão confunde-nos e confronta-nos com uma falsa situação que parece não respeitar a noção de causalidade. Todavia, tal não é o caso, dado que se trata de duas perguntas independentes uma da outra. E agora, a causalidade: usamo-las porque são o meio que encontramos para alcançar tudo o que foi enumerado. Para atingir um fim. Usamos as redes socias porque são pontos de encontro. Porque são escalas de desvarios, como o são as cidades. Porque são motores de informação, de produção e de progresso. Porque são uma fonte de informação utilitária e da própria consciência de pertença a um espaço físico. Porque são uma comunidade precisa. Porque são centros naturais de edição, são os novos jornais, os novos livros. Porque, atualmente, são o centro mais acessível de informação. Não as usamos porque “ficamos sós”.
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Em tempos, acreditou-se que o telefone iria prejudicar a cidade. Contudo, o que aconteceu, tal como o que acontece hoje com as redes sociais e com todas as novas tecnologias de comunicação que surgem, foi o aparecimento da possibilidade de nos relacionarmos de uma forma mais frequente: maior facilidade, mais tempo de contacto. A marcha da humanidade tende, cada vez mais, a orientar-se para esta procura de contacto fácil e frequente. E são as redes sociais que nos empurram para a criação de um mundo mais conectado. São fundamentais, porque não há partilha nem comunicação sem elos de contacto.
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