segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Mais um texto da fabulosa Letícia. Tema: Venezuela X Brasil




Letícia, ficou bom o texto. Vamos criando mais e mais.

Mito do país hospitaleiro





           A disposição do Brasil,  conhecido pela recepção calorosa de estrangeiros, vem sendo desmistificada. Com a crise na Venezuela,  a crescente chegada de  pessoas oriundas do país vizinho no estado de Roraima tem sido capaz de fomentar a xenofobia e a intolerância dos brasileiros. Esse comportamento se manifesta em atos lastimáveis, tal como a recente expulsão de dezenas de venezuelanos em uma comemoração – exibida na mídia -  com direito a  gritos patrióticos de alguns roraimenses e motiva e exaltados pedidos pelo fechamento das fronteiras.
          A crise no Estado de Roraima assume paroxismos, com o recrudescimento da violência e a falta de recursos nos serviços públicos, tanto para os refugiados venezuelanos quanto para os brasileiros, fatos que poderiam ser alegados para defender o fechamento da fronteira. É o que pleiteia Sueli Campos,  governadora do estado de Roraima, sob a alegação da falência dos recursos públicos para continuar recebendo mais cidadãos venezuelanos. Entretanto, essa opção pelo fechamento de fronteiras com o país venezuelano é uma ação descabida. Em especial porque países como Equador e Peru têm recebido contingentes ainda mais expressivos de refugiados, ainda que possuam Produto Interno Bruto inferiores ao do Brasil.  Por esse motivo, o caos vivido pelos brasileiros parece ser falta de esforços das próprias autoridades brasileiras no sentido de amenizá-lo.
É incontestável a necessidade de considerar a crise a qual o Brasil enfrenta, o consequente corte de verbas para diversos setores. Mas, a história mostra que a política de fechar fronteiras - incluindo o recrutamento de soldados ou a construção de barreiras físicas - são mais dispendiosas do que a provisão de recursos necessárias para integrar os imigrantes./ Um gasto com criação de fronteiras não seria ideal para o quadro atual.
Ademais, o fechamento das fronteiras seria uma decisão insensata,  pois o país é signatário da Convenção dos Refugiados da ONU e garante a entrada e proteção dessas pessoas por meio da lei de refúgio. Logo, deveria ser incogitável barrar os venezuelanos cuja situação de grave e generalizada violação de direitos humanos, por parte da ditadura de Nicolas Maduro, força a evasão deles de sua pátria.
Pode- se inferir, portanto, que o único – e nocivo - efeito prático de fechar as fronteiras seria o nefasto aumento do tráfico de humanos, deixando os venezuelanos vulneráveis ao risco de serem enganados, roubados e agredidos. Essa decisão não ajuda em nada a questão humanitária, apenas evidencia o quão seletivo vem se tornando o brasileiro em relação aos estrangeiros e derruba o clichê patriótico de um Brasil receptivo.

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