Letícia, ficou bom o texto. Vamos criando mais e mais.
Mito do país hospitaleiro
A disposição do Brasil, conhecido pela recepção calorosa de
estrangeiros, vem sendo desmistificada. Com
a crise na Venezuela, a crescente
chegada de pessoas oriundas do país
vizinho no estado de Roraima tem sido capaz de fomentar a xenofobia e a
intolerância dos brasileiros. Esse comportamento se manifesta em atos
lastimáveis, tal como a recente expulsão de dezenas de venezuelanos em uma
comemoração – exibida na mídia - com
direito a gritos patrióticos de
alguns roraimenses e motiva e exaltados pedidos pelo fechamento das fronteiras.
A crise no Estado de Roraima assume
paroxismos, com o recrudescimento da violência e a falta de recursos nos
serviços públicos, tanto para os refugiados venezuelanos quanto para os
brasileiros, fatos que poderiam ser alegados para defender o fechamento da
fronteira. É o que pleiteia Sueli
Campos, governadora do estado de
Roraima, sob a alegação da falência dos recursos públicos para continuar
recebendo mais cidadãos venezuelanos. Entretanto,
essa opção pelo fechamento de fronteiras com o país venezuelano é uma ação
descabida. Em especial porque países como Equador e Peru têm recebido contingentes
ainda mais expressivos de refugiados, ainda que possuam
Produto Interno Bruto inferiores ao do Brasil. Por esse motivo, o caos vivido pelos
brasileiros parece ser falta de esforços das próprias autoridades brasileiras
no sentido de amenizá-lo.
É incontestável
a necessidade de considerar a crise a qual o Brasil enfrenta, o consequente
corte de verbas para diversos setores. Mas, a história mostra que a política de
fechar fronteiras - incluindo o recrutamento de soldados ou a construção de
barreiras físicas - são mais dispendiosas do que a provisão
de recursos necessárias para integrar os imigrantes./ Um gasto com criação de fronteiras não seria ideal para
o quadro atual.
Ademais, o
fechamento das fronteiras seria uma decisão insensata, pois o país é signatário da Convenção dos Refugiados
da ONU e garante a entrada e proteção dessas pessoas por meio da lei de refúgio.
Logo, deveria ser incogitável barrar os venezuelanos cuja situação de grave e
generalizada violação de direitos humanos, por parte da ditadura de Nicolas
Maduro, força a evasão deles de sua
pátria.
Pode- se
inferir, portanto, que o único – e nocivo - efeito
prático de fechar as fronteiras seria o nefasto
aumento do tráfico de humanos, deixando os venezuelanos vulneráveis ao risco de
serem enganados, roubados e agredidos. Essa decisão não ajuda em nada a questão
humanitária, apenas evidencia o quão seletivo vem se tornando o brasileiro em
relação aos estrangeiros e derruba o clichê patriótico de um Brasil receptivo.


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