sexta-feira, 2 de novembro de 2018

PROPOSTINHAS DO ENEM. LEITURA NO BRASIL


ESTAS PROPOSTAS DE VÉSPERA DE ENEM SÓ PEDEM LEITURA E REDAÇÃO MENTALIZADA. NÃO É PRECISO ESCREVER NADA.
NÃO TEMOS MAIS TEMPO. 

Crianças lendo livros no parque — Fotografia de Stock



texto 1
ODE AOS LIVROS QUE NÃO POSSO COMPRAR, de Jorge de Sena
.
Hoje fiz uma lista de livros,
e não tenho dinheiro para os poder comprar.
.
É ridículo chorar falta de dinheiro
para comprar livros,
quando a tantos ele falta para não morrerem de fome.
.

Por isso, preciso de comprar alguns livros,
Uns que ninguém lê, outros que eu próprio mal lerei
Para, quando se me fechar uma porta, abrir um deles
Folheá-lo pensativo, arrumá-lo como inútil,
E sair de casa, contando os tostões que me restam,
A ver se chegam para o carro eléctrico,
Até a outra porta.
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27/6/1944

texto 2

De acordo com levantamento divulgado no início deste ano pelo Banco Mundial, os estudantes brasileiros devem demorar mais de 260 anos para atingir a qualidade de leitura dos alunos de países desenvolvidos. Se os índices de educação, a partir dos dados do Programa de Avaliação de Alunos (Pisa), não forem alavancados, os números apontam para uma longeva crise de aprendizagem no Brasil.
Em recente edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro (2016), com o apoio da Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares, Câmara Brasileira do Livro e Sindicato Nacional dos Editores de Livros, aponta também um cenário pouco promissor, apesar de certos avanços. Estima-se que 56% da população acima dos cinco anos de idade se enquadram como leitores regulares (aqueles que leem, pelo menos, partes de um livro a cada três meses). Em 2011, a média era de 50%.
Outro avanço diagnosticado foi a ampliação do índice de leitura per capita, que passou de quatro títulos por ano para 4,96. Contudo, se os livros didáticos forem retirados da conta, o número cai para 2,9 livros/ano. Em países desenvolvidos, por exemplo, a média é de 7 livros/ano na França, 5,1 nos Estados Unidos e 4,9 na Inglaterra.
A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil revela, ainda, que a Bíblia figura como a obra mais citada pelos entrevistados de todas as idades acima dos 18 anos. Ao todo, 42% dos participantes da pesquisa afirmaram ler a Bíblia, enquanto outros livros religiosos figuram no segundo lugar entre os gêneros mais populares, com 22% da preferência.
A Bíblia e outras obras religiosas representam uma expressiva parcela no aumento do índice de leitura de livros não acadêmicos no Brasil, passando de 1,8 título lido por ano (em 2000) para 2,9 (2015). Tal crescimento pode ser atribuído à expansão das denominações evangélicas no Brasil.

 texto 3

Sabemos que ler traz muitos benefícios a quem o pratica de modo correto. A leitura desenvolve e aumenta o repertório geral, auxilia para que o indivíduo tenha senso crítico, amplia o vocabulário, estimula a criatividade e, finalmente, facilita a escrita. Mas ainda que carregue consigo um lado bom, é preciso tomar cuidado e selecionar bem o que se lê. Segundo Valdir Heitor Barzotto, professor da Faculdade de Educação (FE) da USP, vivemos em um momento em que há excesso de material disponível. “O que também pode ser prejudicial, pois uma pessoa pode ler coisas que não são, necessariamente, de uma fonte confiável. É uma novidade do tempo contemporâneo. Existe muito acesso ao texto, mas não ao conhecimento”, explica ele. A grande quantidade de informação disponível foi propiciada, principalmente, pelo avanço da tecnologia, em especial o da internet.
Além disso, outro grande problema do panorama da leitura e da escrita no País é a questão da interpretação. Alunos com 14 anos ainda têm dificuldades em identificar informações que estão tanto explícitas quanto implícitas em um texto. Este déficit transcende a disciplina de português e atinge matérias como matemática, no momento de interpretar enunciados-problema, e história, para compreender as relações entre os fatos. Nesse sentido, é importante lembrar o papel de uma educação de boa qualidade, pois é necessário, primeiramente, ultrapassar a barreira da dificuldade da leitura para que o poder de interpretação seja facilitado.
Na busca pela melhoria do incentivo à leitura e escrita no País, há três perspectivas para as quais devemos tornar os nossos olhares: o governo, a escola e o próprio lar. Esses três constituem os principais pilares e não acontecem separadamente. Do poder público é preciso cobrar uma melhor administração dos recursos destinados a levar as pessoas a ler. Para o professor Barzotto, isso se reflete, principalmente, nas bibliotecas escolares que, além de estarem bem aparelhadas, também devem contar com bons funcionários especializados em leitura. “O governo precisa garantir uma estrutura mínima em que seja possível ler”, afirma. Além disso, o professor diz que o poder público também não deveria se envolver na visão de trabalho de quem ensina. Para ele, este profissional deveria ter mais autonomia para encontrar as metodologias adequadas para o grupo com o qual trabalha. Através de provas nacionais, o governo tem controle sobre as normas de como deve ser feito o ensino dentro das escolas e, através dos resultados, muitas instituições de ensino se submetem a elas. “Ter mais nota não é uma avaliação do que, de fato, aquela escola está fazendo pelos seus alunos”, completa Barzotto. No que diz respeito às funções da escola, é necessário que se construa uma autonomia dentro de cada uma.
Em casa, o professor Barzotto diz que é indispensável que haja material de leitura disponível, mas ressalta que quantidade nem sempre é qualidade. O importante é que, primeiramente, não se force o hábito de leitura na família como uma obrigação, mas sim como um prazer. É muito mais produtivo que a família converse e discuta sobre o que leu.https://www5.usp.br/84357/especialistas-comentam-desafios-para-a-pratica-da-leitura-no-brasil/



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