PROBLEMA
A vacinação de
crianças atingiu o nível mais baixo no Brasil em 16 anos. Esse
dado preocupante foi divulgado pelo Programa Nacional de Imunizações, do
Ministério da Saúde. Houve redução de cobertura de doenças graves como
poliomielite, sarampo e meningite. E mais: nos últimos 2 anos, a meta de
imunizar 95% das crianças também não foi alcançada. A vacina menos
dada é a tetra viral, que atingiu cerca de 70% de imunização, e previne doenças como
caxumba, catapora e rubéola.
CAUSAS DA
DIMINUIÇÃO DA VACINAÇÃO DAS CRIANÇAS
1
Há algumas causas que justificam o fato dos pais estarem deixando de levar os
filhos para tomar a vacina. A pediatra Melissa Palmieri, membra da
Sociedade Brasileira de Imunizações e coordenadora médica de vacinas do Grupo
Hermes Pardini, filha de Antônio Carlos e Maria, conta a primeira delas: “As
vacinas são vítimas do próprio sucesso”. Para ela, conforme as doenças são
eliminadas, a população se esquece das ferramentas de prevenção e ganha uma
falsa sensação de segurança. “Temos uma geração de adultos que se beneficiaram
do Programa Nacional de Imunizações no passado e agora estão
negligenciando esse direito aos filhos”. Além disso, muitas famílias também
enxergam a vacina como cura e não prevenção, e só vão atrás da imunização dos
filhos em casos mai graves.
2 A segunda
razão é a dificuldade no acesso aos postos de saúde. “Em algumas regiões do
país, os postos só funcionam em horário comercial. Com isso, alguns pais não
têm tempo de levar os filhos para serem vacinados. Grande parte deles
simplesmente não podem deixar de ir ao trabalho”.
3
O estudo foi baseado na “teoria de fundação da
moral já estabelecida”, o que explica decisões baseadas em cinco valores:
cuidado/perigo, equidade, lealdade, autoridade e pureza. “Assim como nós
estamos inclinados a dar preferência para alguns valores, outras pessoas
preferem os valores opostos aos que escolhemos”, diz o autor do estudo Saad B.
Omer, professor de saúde global epidemiologia e pediatria em Emory. Usando
testes padrões para os fundamentos morais e a atitude de vacinar, os
pesquisadores questionaram os participantes do estudo. “O que nós descobrimos é
que nas pessoas que hesitavam muito a respeito de vacinas tinham uma grande
associação com pureza e liberdade, mas ao mesmo tempo uma associação negativa
com autoridade.”
Uma boa solução para o problema seria uma
maior implementação de vacinação nas escolas das crianças — proposta que já
está sendo estudada pelo Ministério da Saúde. Outro caminho seria um melhor
diálogo entre o Ministério da Saúde e do Trabalho. “As empresas poderiam
começar a aceitar uma espécie de atestado oficial, reconhecido pelos
ministérios. Assim, o pai que perdeu um dia de trabalho por precisar levar
o filho para ser vacinado, não receba nenhum tipo de punição”.

Nenhum comentário:
Postar um comentário