sábado, 13 de outubro de 2018

As denúncias do assédio sexual. Proposta estilo Unesp etc







                 

                   PROPOSTA

Ouvimos que o politicamente correto dos norte-americanos está contaminando o Brasil e o mundo. Para alguns,  não importa o quanto haja de excesso ou paranoias coletivas encarnadas nesse politicamente correto versão original; o importante é o espaço que esse movimento abriu para a discussão de uma série de assuntos, entre eles, o assédio sexual. No entanto, há quem alegue que tem havido exageros nas denúncias de assédio, uma verdadeira caça às bruxas - ou bruxos -  e que isso pode comprometer o convívio entre homens e mulheres.
Leia os textos da coletânea e produza um texto argumentativo em que se posicione sobre sobre os limites entre o exagero nas denúncias e a necessidade de fazê-las. 

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 “O estupro é um crime. Mas a paquera insistente ou desajeitada não é delito, nem é o galanteio uma agressão machista.” A declaração faz parte de um artigo publicado nesta terça-feira no jornal francês “Le Monde” por um grupo de cem mulheres — entre elas, a atriz francesa Catherine Deneuve, de 74 anos — com o objetivo de defender a liberdade dos homens “de importunar”.
O texto pretende contrapor o que as francesas chamaram de “campanha de delações” ou “caça às bruxas” após o escândalo sexual do produtor Harvey Weinstein, no ano passado. Uma série de acusações contra o magnata encorajou vítimas de abusos de Hollywood e da sociedade a denunciarem os seus abusadores. Nas redes sociais, o movimento ganhou o nome #MeToo (“eu também”, em tradução literal).
A centena de atrizes, intelectuais e jornalistas lideradas por francesas, como a escritora Catherine Millet, dizem rechaçar o “puritanismo” que, segundo elas, se instalou após as acusações contra Weinstein. Embora considere “legítima” a tomada de consciência sobre a violência sexual, sobretudo no ambiente profissional, o grupo avalia que o movimento obriga as mulheres a se posicionarem de certa forma e taxa de “traidoras e cúmplices” quem se nega a seguir suas diretrizes.
Um dia depois da repercussão global do discurso da apresentadora americana Oprah Winfrey na premiação do Globo de Ouro — cujas convidadas aderiram a figurinos pretos em protesto contra o assédio —, o artigo bate de frente com a campanha que estimula a quebra do silêncio das mulheres que se viram abusadas e assediadas, promovida por centenas de celebridades de Hollywood. Em um claro contraponto ao movimento “Time’s Up” (“acabou o tempo”, também em tradução literal), que vai custear as batalhas legais de vítimas nos Estados Unidos, o grupo de francesas defendeu que muitos homens “foram penalizados na profissão ou obrigados a se demitir quando seu único erro foi tocar um joelho, tentar um beijo, falar de coisas íntimas no trabalho ou enviar mensagens de conotação sexual a uma mulher que não sentia atração recíproca”.
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Para as autoras, a campanha #MeToo colocou na imprensa e nas redes sociais uma série de acusações contra indivíduos públicos. Sem que eles tenham tido a possibilidade de responder ou de se defender, dizem as francesas, eles foram colocados “exatamente no mesmo nível que agressores sexuais”.
 Em uma iniciativa que busca evidenciar as diferentes visões entre o feminismo nos EUA e na Europa, as autoras do artigo no “Le Monde” argumentam que há uma “onda purificadora” que levou a uma “febre de levar os cerdos (porcos) ao matadouro”. A referência ao animal alude à campanha #BalanceTonPorc (algo como “Delate teu porco”, em tradução livre), equivalente francês para o movimento #MeToo, no qual as mulheres foram encorajadas a dividir suas experiências abusivas nas redes sociais. A iniciativa americana e suas protagonistas foram eleitas as “Pessoas do Ano” da revista “Time” em 2017.
Para Catherine Deneuve e as demais personalidades que assinam a carta francesa, as “delações” não servem à autonomia das mulheres, mas a inimigos da liberdade sexual, a extremistas religiosos, a reacionários e a quem vê o sexo feminino como “uma criança que pede proteção”.
“Não nos reconhecemos neste feminismo que, para além de denunciar abusos de poder, encarna um ódio aos homens e à sexualidade”, assegurou o coletivo, que considera a “liberdade de importunar indispensável à liberdade sexual”.
Marlene Schiappa, ministra francesa encarregada de combater a violência contra as mulheres, afirmou à Reuters que o escândalo envolvendo Harvey Weinstein a forçou a repensar sua postura em relação ao assédio sexual na França, um país que aprecia sua autoimagem como terra da sedução e do romance. A ministra contou que começou a realizar consultas nacionais sobre uma lei que deve incluir medidas para combater o assédio sexual nas ruas.
No final de outubro, manifestantes interromperam a abertura de uma mostra retrospectiva do trabalho de Roman Polanski em Paris após novas alegações de estupro contra o diretor de cinema franco-polonês.
No entanto, para Catherine Deneuve e as outras signatárias da carta, essa reação foi muito longe. Em março do ano passado, Deneuve criou polêmica ao defender publicamente Polanski de uma das acuações de estupro. Para a atriz, o diretor não sabia que a vítima tinha 13 anos.
— Sempre achei a palavra estupro excessiva — declarou a atriz, na ocasião. https://oglobo.globo.com/sociedade/francesas-veem-excesso-de-puritanismo-na-onda-de-denuncias-de-assedio-22271834
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José Mayer me assediou”
Por Su Tonani*
"Eu, Susllem Meneguzzi Tonani, fui assediada por José Mayer Drumond. Tenho 28 anos, sou uma mulher branca, bonita, alta. Há cinco anos vim morar no Rio de Janeiro, em busca do meu sonho: ser figurinista.
Qual mulher nunca levou uma cantada? Qual mulher nunca foi oprimida a rotular a violência do assédio como “brincadeira”? A primeira “brincadeira” de José Mayer Drumond comigo foi há 8 meses. Ele era protagonista da primeira novela em que eu trabalhava como figurinista assistente. E essa história de violência se iniciou com o simples: “como você é bonita”. Trabalhando de segunda a sábado, lidar com José Mayer era rotineiro. E com ele vinham seus “elogios”. Do “como você se veste bem”, logo eu estava ouvindo: “como a sua cintura é fina”, “fico olhando a sua bundinha e imaginando seu peitinho”, “você nunca vai dar para mim?”.
Quantas vezes tivemos e teremos que nos sentir despidas pelo olhar de um homem, e ainda assim – ou por isso mesmo – sentir medo de gritar e parecer loucas? Quantas vezes teremos que ouvir, inclusive de outras mulheres: “ai que exagero! Foi só uma piada”. Quantas vezes vamos deixar passar, constrangidas e enojadas, essas ações machistas, elitistas, sexistas e maldosas?
Foram meses envergonhada, sem graça, de sorrisos encabulados. Disse a ele, com palavras exatas e claras, que não queria, que ele não podia me tocar, que se ele me encostasse a mão eu iria ao RH. Foram meses saindo de perto. Uma vez lhe disse: “você é mais velho que o meu pai. Você tem uma filha da minha idade. Você gostaria que alguém tratasse assim a sua filha?”
A opressão é aquela que nos engana e naturaliza o absurdo. Transforma tudo em aceitável, em tolerável, em normal. A vaidade é aquela que faz o outro crer na falta de limite, no estrelato, no poder e na impunidade. Quantas vezes teremos que pedir para não sermos sexualizadas em nosso local de trabalho? Até quando teremos que ir às ruas, ao departamento de RH ou à ouvidoria pedir respeito?
Em fevereiro de 2017, dentro do camarim da empresa, na presença de outras duas mulheres, esse ator, branco, rico, de 67 anos, que fez fama como garanhão, colocou a mão esquerda na minha genitália. Sim, ele colocou a mão na minha buceta e ainda disse que esse era seu desejo antigo. Elas? Elas, que poderiam estar no meu lugar, não ficaram constrangidas. Chegaram até a rir de sua “piada”. Eu? Eu me vi só, desprotegida, encurralada, ridicularizada, inferiorizada, invisível. Senti desespero, nojo, arrependimento de estar ali. Não havia cumplicidade, sororidade.
Mas segui na engrenagem, no mecanismo subserviente.
Nos próximos dias, fui trabalhar rezando para não encontrá-lo. Tentando driblar sua presença para poder seguir. O trabalho dos meus sonhos tinha virado um pesadelo. E para me segurar eu imaginava que, depois da mão na buceta, nada de pior poderia acontecer. Aquilo já era de longe a coisa mais distante da sanidade que eu tinha vivido.
Até que nos vimos, ele e eu, num set de filmagem com 30 pessoas. Ele no centro, sob os refletores, no cenário, câmeras apontadas para si, prestes a dizer seu texto de protagonista. Neste momento, sem medo, ameaçou me tocar novamente se eu continuasse a não falar com ele. E eu não silenciei.
“VACA”, ele gritou. Para quem quisesse ouvir. Não teve medo. E por que teria, mesmo?
Chega. Acusei o santo, o milagre e a igreja. Procurei quem me colocou ali. Fui ao RH. Liguei para a ouvidoria. Fui ao departamento que cuida dos atores. Acessei todas as pessoas, todas as instâncias, contei sobre o assédio moral e sexual que há meses eu vinha sofrendo. Contei que tudo escalou e eu não conseguia encontrar mais motivos, forças para estar ali. A empresa reconheceu a gravidade do acontecimento e prometeu tomar as medidas necessárias. Me pergunto: quais serão as medidas? Que lei fará justiça e irá reger a punição? Que me protegerá e como?
Sinto no peito uma culpa imensa por não ter tomado medidas sérias e árduas antes, sinto um arrependimento violento por ter me calado, me odeio por todas as vezes em que, constrangida, lidei com o assédio com um sorriso amarelo. E, principalmente, me sinto oprimida por não ter gritado só porque estava em meu local de trabalho. Dá medo, sabia? Porque a gente acha que o ator renomado, 30 e tantos papéis, garanhão da ficção com contrato assinado, vai seguir impassível, porque assim lhe permitem, produto de ouro, prata da casa. E eu, engrenagem, mulher, paga por obra, sou quem leva a fama de oportunista. E se acharem que eu dei mole? Será que vão me contratar outra vez?
Tenho de repetir o mantra: a culpa não foi minha. A culpa nunca é da vítima. E me sentiria eternamente culpada se não falasse. Precisamos falar. Precisamos mudar a engrenagem.
Não quero mais ser encurralada, não quero mais me sentir inferior, não quero me sentir mais bicho e muito menos uma “vaca”. Não quero ser invisível se não estiver atendendo aos desejos de um homem.
Falo em meu nome e acuso o nome dele para que fique claro, que não haja dúvidas. Para que não seja mais fofoca. Que entendam que é abusivo, é antigo, não é brincadeira, é coronelismo, é machismo, é errado. É crime. Entendam que não irei me calar e me afastar por medo. Digo isso a ele e a todos e todas que, como ele, homem ou mulher, pensem diferente. Que entendam que não passarão. E o que o meu assédio não vai ser embrulho de peixe. Vai é embrulhar o estômago de todos vocês por muito, muito tempo."

FILMES OPCIONAIS ( VEJA SE TIVER TEMPO)

Spielberg: Assédio sexual "é um problema mundial

https://www.youtube.com/watch?v=5gjprxEqdWE



A polêmica carta de Catherine Deneuve



 https://www.youtube.com/watch?v=n20nK2WID-4


 





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