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"Segundo o estudo, o Brasil teria um adicional no PIB de US$ 3,5 bilhões, ou cerca de R$ 7 bilhões, se as adolescentes postergassem a gravidez para os 20 anos de idade. Dessa forma, "os investimentos para conscientizar os adolescentes beneficiam a economia", conclui o texto. O índice brasileiro está acima, porcentualmente, do custo dos Estados Unidos ou da China, que equivale a 1% do PIB desses países. E está abaixo de países como a Índia e o Paraguai, com um potencial perdido de 12% do PIB, ou a Unganda, que deixa de produzir o equivalente a 30% do PIB". Fonte: Último Segundo - iG @ https://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2013-11-02/a-cada-dia-20-mil-adolescentes-dao-a-luz-em-paises-em-desenvolvimento.html
TEXTO 1
A América Latina e o Caribe continua sendo a
sub-região com a segunda maior
taxa de gravidez adolescente do mundo, afirmou relatório publicado
nesta quarta-feira (28) por Organização Pan-Americana da Saúde/Organização
Mundial da Saúde (OPAS/OMS), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e
Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).
(...
) A taxa mundial de gravidez adolescente é estimada em 46 nascimentos para cada
1 mil meninas de 15 a 19 anos, enquanto a taxa na América Latina e no Caribe é
estimada em 65,5 nascimentos, superada apenas pela África Subsaariana, segundo
o relatório “Aceleração
do progresso para a redução da gravidez na adolescência na América Latina e no
Caribe“. No Brasil, a taxa é de 68,4.
Apesar
de, nos últimos 30 anos, a fecundidade total na América Latina e no Caribe — ou
seja, o número de filhos por mulher — ter diminuído, as taxas de fecundidade
das adolescentes caíram ligeiramente, disse o documento.
A
América Latina e o Caribe é a única região do mundo com uma tendência
ascendente de gravidez entre adolescentes com menos de 15 anos, segundo o
UNFPA. (...).
***
Como comparação, as taxas de gravidez entre adolescentes
nos Estados Unidos e no Canadá estão abaixo da média mundial e caíram de forma
sustentada durante a última década. https://nacoesunidas.org/taxa-de-gravidez-adolescente-no-brasil-esta-acima-da-media-latino-americana-e-car
TEXTO 2
Uma série de recomendações para reduzir a gravidez
precoce foi apresentada no relatório, como o programa de prevenção dirigido a
grupos em situação de maior vulnerabilidade, o aumento do acesso a métodos
anticoncepcionais e o incentivo à educação sexual.
Além
dos trabalhos de educação no nível individual, familiar e comunitário, ações
para criar leis e normas também foram apontadas como estratégicas pelo
relatório.
Uma delas é a proibição do casamento
infantil e as uniões precoces antes os 18 anos. Em tramitação no Congresso, o
projeto de lei 7774/2017 veda a prática do casamento infantil no Brasil.
Em
entrevista à Rede Peteca – Chega
de Trabalho Infantil, o autor do projeto, Helder Salomão (PT/ES) explicou
que embora a lei brasileira estipule 18 anos como idade legal para união
matrimonial e permita a anulação do casamento infantil, há muitas brechas na
lei.
Se
houver consentimento dos pais, por exemplo, as meninas podem se casar a partir
dos 16 anos. “Podemos
levar gerações para mudar tal realidade, mas é preciso haver uma legislação que
vete esse tipo de prática, para que a sociedade contemporânea comece a pensar
nisso”, disse Salomão. https://emais.estadao.com.br/blogs/bruna-ribeiro/taxa-de-gravidez-adolescente-no-brasil-preocupa-organizacoes-internacionais/
TEXTO 3
Muitos países
assumiram a causa da prevenção da maternidade na adolescência, geralmente por
meio de ações voltadas à mudança de comportamento das meninas. Está implícito, em tais intervenções uma crença de que a
menina é responsável pela prevenção da gravidez e um pressuposto de que, se ela
engravidar, ela é a culpada.
Tais abordagens e pensamentos estão equivocados, uma vez que não
conseguem dar conta das circunstâncias e pressões sociais que conspiram contra
as adolescentes e tornam a maternidade um resultado provável de sua transição
da infância para a idade adulta. Quando uma jovem é forçada ao casamento, por
exemplo, ela raramente tem alguma opção quanto a se, quando, ou quantas vezes,
vai engravidar. Uma ação
de prevenção da gravidez, seja uma campanha publicitária ou um programa de
distribuição de preservativos, é irrelevante para uma menina que não tem poder
para tomar decisões consequentes. O que é necessário é uma nova maneira de
pensar sobre o desafio da gravidez na adolescência. Em vez de ver a menina como
o problema e (ver) a mudança de seu comportamento como a solução, os governos,
comunidades, famílias e escolas devem considerar como reais desafios a pobreza,
a desigualdade de gênero, a discriminação, a falta de acesso a serviços, e as
opiniões negativas sobre meninas e mulheres.
E devem ver como verdadeiros caminhos para a
redução da gravidez adolescente a busca
da justiça social, o desenvolvimento equitativo e o ‘empoderamento’ das
meninas. Em geral, os esforços – e recursos – para evitar a gravidez na
adolescência têm se concentrado em meninas de 15 a 19 anos de idade. No
entanto, as meninas com as maiores vulnerabilidades, as que enfrentam o maior
risco de complicações e morte devido à gravidez e ao parto, são as de 14 anos
ou menos. Esse grupo de adolescentes muito jovens é geralmente ignorado pelas
instituições nacionais de saúde, educação e desenvolvimento, ou está, além de
seu alcance, porque, muitas vezes, essas meninas estão em casamentos forçados e
são impedidas de frequentar a escola, ou de ter acesso a serviços de saúde
sexual e reprodutiva. Suas necessidades são imensas, e os governos, a sociedade
civil, as comunidades e a comunidade internacional devem fazer muito mais para
protegê-las e apoiar sua transição segura e saudável desde a infância e a
adolescência até a idade adulta.
(...)
A gravidez na adolescência se
entrelaça a questões de direitos humanos. Uma menina grávida que é pressionada
ou forçada a deixar a escola, por exemplo, tem o seu direito à educação negado.
Uma menina que é proibida de acessar anticoncepcionais ou mesmo informações
sobre a prevenção de uma gravidez, tem seu direito à saúde negado. Por outro
lado, uma menina que consegue desfrutar de seu direito à educação e permanecer
na escola tem menos probabilidade de engravidar do que sua colega que sai ou é forçada
a sair da escola. Assim, o gozo de um direito a coloca em uma posição melhor
para usufruir de outros. A partir de uma perspectiva de direitos humanos, uma
garota que fica grávida, independente das circunstâncias ou razões, é uma
garota cujos direitos estão prejudicados. Investimentos em capital humano são fundamentais para a
proteção desses direitos. Tais investimentos não somente ajudam as meninas a
atingirem seu potencial pleno, mas também fazem parte da responsabilidade de um
governo de proteger os direitos das meninas em conformidade com os tratados e
instrumentos de direitos humanos, tais como a Convenção sobre os Direitos da
Criança, e com os acordos internacionais, incluindo o Programa de Ação da
Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, de 1994 , que
continua a orientar o trabalho do UNFPA hoje (...)
Muitos países têm tomado medidas destinadas a
prevenir a gravidez na adolescência e, em alguns casos, para apoiar as meninas
que ficam grávidas. Mas muitas das medidas até hoje têm focado principalmente
em como alterar o comportamento da menina, deixando de abordar os determinantes e condicionantes
subjacentes, incluindo a desigualdade de gênero, a pobreza, a violência e
coerção sexual, o casamento precoce, as pressões sociais, a exclusão de
oportunidades educacionais e de trabalho, as atitudes negativas e estereótipos
sobre as adolescentes; além disso, têm negligenciado o papel de meninos e
homens.
Experiências de programas eficazes sugerem que é
necessário realizar uma mudança que saia das intervenções de foco limitado às
meninas ou à prevenção da gravidez, para abordagens amplas que possam construir o capital humano das
meninas, concentradas em sua capacidade de tomar decisões sobre suas vidas
(incluindo questões de saúde sexual e reprodutiva), apresentando oportunidades
reais para que a maternidade não seja vista como seu único destino. Este novo
paradigma deve ter como alvo as circunstâncias, condições, normas, valores e
forças estruturais que perpetuam a gravidez na adolescência, por um lado; e que
isolam e marginalizam as mulheres grávidas por outro. As meninas precisam tanto
de acesso aos serviços de saúde sexual e reprodutiva e de informação, quanto
serem aliviadas das pressões econômicas e sociais que muitas vezes se traduzem
em uma gravidez, bem como da pobreza, dos problemas de saúde, e da não
realização do seu potencial humano
(...)
É preciso dedicar esforços adicionais para
alcançar meninas menores de 15 anos de idade, cujas necessidades e
vulnerabilidades são ainda maiores. Os esforços para prevenir a gravidez entre
as maiores de 15 anos e o apoio às adolescentes mais velhas que estão grávidas
ou que tenham dado à luz podem ser inadequados ou irrelevantes para
adolescentes muito jovens. Adolescentes muito jovens têm vulnerabilidades
especiais, e muito pouco tem sido feito para entender e responder aos grandes
desafios que enfrentam. As
meninas que engravidam precisam de apoio, não de estigma. Governos,
organizações internacionais, sociedade civil, comunidades, famílias, líderes
religiosos e as e os próprios adolescentes têm um papel importante na
realização da mudança. Todos vão ganhar ao nutrir as vastas possibilidades que
essas meninas, cheias de vida e esperança, trazem consigo.
Texto 4
Engravidar durante a adolescência pode trazer
consequências para o desenvolvimento psicológico e emocional da menina e da
criança.
De acordo com a psicóloga Janaina Coniaric, que
participou de uma pesquisa da USP em parceria com o hospital Albert Einstein,
com adolescentes grávidas da comunidade de Paraisópolis, em São Paulo, esse
desenvolvimento depende da relação que a mãe consegue estabelecer com a criança
desde o início da gravidez até depois do nascimento.
Se for criado um bom vínculo, de amor e afeto, o impacto
negativo pode não acontecer. Esse vínculo pode ser influenciado não só pela
idade ou capacidade de amadurecimento da futura mãe, mas também da estrutura
emocional de toda a família.
“Mesmo sendo, muitas vezes, um momento de crise e até de
ruptura familiar, nem sempre as consequências são desastrosas. O manejo que a
gestante e a família vão construindo e a possibilidade de redefinições de
papéis podem favorecer ou catalisar um grande crescimento familiar e um
amadurecimento verdadeiro na adolescente”, explica Janaina.
Mas a psicóloga alerta para os problemas que podem
surgir quando esse vínculo não é suficientemente bom, quando a adolescente e a
família não conseguem lidar bem com a situação. Nesses casos, as crianças podem
apresentar problemas como depressão infantil, autismo e atraso no
desenvolvimento cognitivo O relatório faz algumas sugestões para que os números
de gravidez na adolescência possam diminuir. São ações que podem virar leis ou
normas e trabalhos de educação a serem desenvolvidos de forma individual,
familiar e comunitária:
- Promover medidas e normas que proíbam o casamento infantil e as uniões precoces, ou seja, antes dos 18 anos de idade;
- Apoiar programas de prevenção da gravidez baseados em evidências e que envolvam múltiplos setores e visem os grupos mais vulneráveis;
- Aumentar o uso da contracepção;
- Reduzir as relações sexuais sob coerção;
- Aumentar os cuidados qualificados de pré-natal, parto e pós-parto;
- Incluir jovens na concepção e implementação de programas de prevenção da gravidez;
- Criar ambientes que permitam a igualdade de gênero e ajudar adolescentes a exercerem seus direitos sexuais e reprodutivos.
- Promover medidas e normas que proíbam o casamento infantil e as uniões precoces, ou seja, antes dos 18 anos de idade;
- Apoiar programas de prevenção da gravidez baseados em evidências e que envolvam múltiplos setores e visem os grupos mais vulneráveis;
- Aumentar o uso da contracepção;
- Reduzir as relações sexuais sob coerção;
- Aumentar os cuidados qualificados de pré-natal, parto e pós-parto;
- Incluir jovens na concepção e implementação de programas de prevenção da gravidez;
- Criar ambientes que permitam a igualdade de gênero e ajudar adolescentes a exercerem seus direitos sexuais e reprodutivos.
Uma
experiência que muda a vida
A consultora ambiental Maibi Tisian, de 36 anos, passou
por esta experiência. Ela engravidou quando ainda estava na escola e sentiu a
dificuldade de educar uma criança sendo tão jovem. No depoimento abaixo ela
conta como decidiu encarar o desafio de ser mãe adolescente e como essa decisão
mudou a vida dela e do então namorado.
(...)
“Tenho 36 anos e um
filho (Guilherme) que completará 19 anos em abril. Engravidei com 16 e tive ele
com 17. Namorava há dois anos com o pai dele. Quando descobri que estava
grávida foi um susto e também um desespero. Eu costumava me prevenir, porém
ocorreu um incidente com o preservativo, o que fez com que eu engravidasse.
Passaram mil coisas pela cabeça: o que fazer, se teria coragem de ter a
criança, etc.
Contei para minha mãe, fomos ao ginecologista e a
gravidez foi confirmada. Já na primeira ecografia, quando ouvi os batimentos
cardíacos do bebê, eu tive certeza que teria meu filho e iria amá-lo apesar das
circunstâncias.
O pai dele veio morar comigo na casa da minha mãe. Ele
tinha um plano de morar fora para concluir os estudos e este plano, então, foi
interrompido. Desde que soubemos da gravidez, ele sempre foi muito responsável
como pai.
A gravidez foi muito tranquila, eu cursava o ensino
médio e continuei os estudos normalmente. Quando o Guilherme nasceu eu estava
no terceiro ano do ensino médio. Fiquei uns dois meses sem ir para a escola,
mas depois pude contar com ajuda da minha sogra e da minha cunhada para ficar
com o bebê no período da noite e continuei a estudar.
Após concluir o ensino médio não pude cursar uma
faculdade, pois a cidade que eu morava era muito pequena e as universidades
ficavam em municípios mais distantes e eu teria que morar fora. Então ficou
inviável.
Nesse período eu abdiquei de muitas coisas que jovens
normalmente fazem, como saídas, baladas, etc. Mas naquele momento eu não sentia
falta destas coisas.
Só consegui retomar os estudos quando o Guilherme já
estava com 3 anos. Naquela época toda minha família resolveu mudar de estado e
eu moraria em uma cidade que tinha diversas universidades, inclusive pública, e
assim eu poderia estudar e continuar perto do meu filho.
O que eu aprendi com tudo isso, é que uma gravidez na
adolescência, quem mais sofre na realidade é a criança, não os pais. Pois como
ainda estamos na fase de construir a vida profissional e concluir os estudos,
temos que passar muito tempo longe deles para poder trabalhar e estudar e isso
com certeza afeta negativamente o desenvolvimento da criança.
Para poder criar e educar muito bem um filho numa idade
tão prematura temos que passar por muitas dificuldades e não se aproveita ao
máximo os momentos com os filhos. A falta de maturidade também faz com que só
tenhamos consciência de tudo que foi perdido anos depois, quando o bebê já
virou um adolescente. Claro que essa falta de tempo para com o filho não foi
uma opção, mas sim uma necessidade.
Atualmente não estou mais com o pai do Guilherme, pois
foi um relacionamento que ocorreu muito cedo e tínhamos objetivos diferentes.
Casei novamente, hoje tenho uma filha de 2 anos e tento aproveitar ao máximo os
momentos com ela, justamente por sentir que com o primeiro filho isso não foi
possível.”
https://noticias.r7.com/saude/gravidez-na-adolescencia-no-brasil-supera-media-da-america-do-sul-02032018
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