domingo, 16 de setembro de 2018

Exercício de redação para o Enem. Gravidez na adolescência


Resultado de imagem para estatistica de gravidez na adolescencia




LEIAM ESTE TRECHO E DEPOIS VEJAM O VÍDEO

"Segundo o estudo, o Brasil teria um adicional no PIB de US$ 3,5 bilhões, ou cerca de R$ 7 bilhões, se as adolescentes postergassem a gravidez para os 20 anos de idade. Dessa forma, "os investimentos para conscientizar os adolescentes beneficiam a economia", conclui o texto. O índice brasileiro está acima, porcentualmente, do custo dos Estados Unidos ou da China, que equivale a 1% do PIB desses países. E está abaixo de países como a Índia e o Paraguai, com um potencial perdido de 12% do PIB, ou a Unganda, que deixa de produzir o equivalente a 30% do PIB". Fonte: Último Segundo - iG @ https://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2013-11-02/a-cada-dia-20-mil-adolescentes-dao-a-luz-em-paises-em-desenvolvimento.html
                                                 




 TEXTO 1

A  América Latina e o Caribe continua sendo a sub-região com a segunda maior taxa de gravidez adolescente do mundo, afirmou relatório publicado nesta quarta-feira (28) por Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).
(... ) A taxa mundial de gravidez adolescente é estimada em 46 nascimentos para cada 1 mil meninas de 15 a 19 anos, enquanto a taxa na América Latina e no Caribe é estimada em 65,5 nascimentos, superada apenas pela África Subsaariana, segundo o relatório “Aceleração do progresso para a redução da gravidez na adolescência na América Latina e no Caribe“. No Brasil, a taxa é de 68,4.
Apesar de, nos últimos 30 anos, a fecundidade total na América Latina e no Caribe — ou seja, o número de filhos por mulher — ter diminuído, as taxas de fecundidade das adolescentes caíram ligeiramente, disse o documento.
A América Latina e o Caribe é a única região do mundo com uma tendência ascendente de gravidez entre adolescentes com menos de 15 anos, segundo o UNFPA. (...).
***
Como comparação, as taxas de gravidez entre adolescentes nos Estados Unidos e no Canadá estão abaixo da média mundial e caíram de forma sustentada durante a última década. https://nacoesunidas.org/taxa-de-gravidez-adolescente-no-brasil-esta-acima-da-media-latino-americana-e-car

                                             TEXTO 2

Uma série de recomendações para reduzir a gravidez precoce foi apresentada no relatório, como o programa de prevenção dirigido a grupos em situação de maior vulnerabilidade, o aumento do acesso a métodos anticoncepcionais e o incentivo à educação sexual.
Além dos trabalhos de educação no nível individual, familiar e comunitário, ações para criar leis e normas também foram apontadas como estratégicas pelo relatório.
Uma delas é a proibição do casamento infantil e as uniões precoces antes os 18 anos. Em tramitação no Congresso, o projeto de lei 7774/2017 veda a prática do casamento infantil no Brasil.
Em entrevista à Rede Peteca – Chega de Trabalho Infantil, o autor do projeto, Helder Salomão (PT/ES) explicou que embora a lei brasileira estipule 18 anos como idade legal para união matrimonial e permita a anulação do casamento infantil, há muitas brechas na lei.
Se houver consentimento dos pais, por exemplo, as meninas podem se casar a partir dos 16 anos. “Podemos levar gerações para mudar tal realidade, mas é preciso haver uma legislação que vete esse tipo de prática, para que a sociedade contemporânea comece a pensar nisso”, disse Salomão. https://emais.estadao.com.br/blogs/bruna-ribeiro/taxa-de-gravidez-adolescente-no-brasil-preocupa-organizacoes-internacionais/

                                             TEXTO 3

 Muitos países assumiram a causa da prevenção da maternidade na adolescência, geralmente por meio de ações voltadas à mudança de comportamento das meninas. Está implícito,  em tais intervenções uma crença de que a menina é responsável pela prevenção da gravidez e um pressuposto de que, se ela engravidar, ela é a culpada. Tais abordagens e pensamentos estão equivocados, uma vez que não conseguem dar conta das circunstâncias e pressões sociais que conspiram contra as adolescentes e tornam a maternidade um resultado provável de sua transição da infância para a idade adulta. Quando uma jovem é forçada ao casamento, por exemplo, ela raramente tem alguma opção quanto a se, quando, ou quantas vezes, vai engravidar. Uma ação de prevenção da gravidez, seja uma campanha publicitária ou um programa de distribuição de preservativos, é irrelevante para uma menina que não tem poder para tomar decisões consequentes. O que é necessário é uma nova maneira de pensar sobre o desafio da gravidez na adolescência. Em vez de ver a menina como o problema e (ver) a mudança de seu comportamento como a solução, os governos, comunidades, famílias e escolas devem considerar como reais desafios a pobreza, a desigualdade de gênero, a discriminação, a falta de acesso a serviços, e as opiniões negativas sobre meninas e mulheres.
E devem ver como verdadeiros caminhos para a redução da gravidez adolescente a  busca da justiça social, o desenvolvimento equitativo e o ‘empoderamento’ das meninas. Em geral, os esforços – e recursos – para evitar a gravidez na adolescência têm se concentrado em meninas de 15 a 19 anos de idade. No entanto, as meninas com as maiores vulnerabilidades, as que enfrentam o maior risco de complicações e morte devido à gravidez e ao parto, são as de 14 anos ou menos. Esse grupo de adolescentes muito jovens é geralmente ignorado pelas instituições nacionais de saúde, educação e desenvolvimento, ou está, além de seu alcance, porque, muitas vezes, essas meninas estão em casamentos forçados e são impedidas de frequentar a escola, ou de ter acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva. Suas necessidades são imensas, e os governos, a sociedade civil, as comunidades e a comunidade internacional devem fazer muito mais para protegê-las e apoiar sua transição segura e saudável desde a infância e a adolescência até a idade adulta.
(...)
 A gravidez na adolescência se entrelaça a questões de direitos humanos. Uma menina grávida que é pressionada ou forçada a deixar a escola, por exemplo, tem o seu direito à educação negado. Uma menina que é proibida de acessar anticoncepcionais ou mesmo informações sobre a prevenção de uma gravidez, tem seu direito à saúde negado. Por outro lado, uma menina que consegue desfrutar de seu direito à educação e permanecer na escola tem menos probabilidade de engravidar do que sua colega que sai ou é forçada a sair da escola. Assim, o gozo de um direito a coloca em uma posição melhor para usufruir de outros. A partir de uma perspectiva de direitos humanos, uma garota que fica grávida, independente das circunstâncias ou razões, é uma garota cujos direitos estão prejudicados. Investimentos em capital humano são fundamentais para a proteção desses direitos. Tais investimentos não somente ajudam as meninas a atingirem seu potencial pleno, mas também fazem parte da responsabilidade de um governo de proteger os direitos das meninas em conformidade com os tratados e instrumentos de direitos humanos, tais como a Convenção sobre os Direitos da Criança, e com os acordos internacionais, incluindo o Programa de Ação da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, de 1994 , que continua a orientar o trabalho do UNFPA hoje (...)

Muitos países têm tomado medidas destinadas a prevenir a gravidez na adolescência e, em alguns casos, para apoiar as meninas que ficam grávidas. Mas muitas das medidas até hoje têm focado principalmente em como alterar o comportamento da menina, deixando de abordar os determinantes e condicionantes subjacentes, incluindo a desigualdade de gênero, a pobreza, a violência e coerção sexual, o casamento precoce, as pressões sociais, a exclusão de oportunidades educacionais e de trabalho, as atitudes negativas e estereótipos sobre as adolescentes; além disso, têm negligenciado o papel de meninos e homens.
Experiências de programas eficazes sugerem que é necessário realizar uma mudança que saia das intervenções de foco limitado às meninas ou à prevenção da gravidez, para abordagens amplas que possam construir o capital humano das meninas, concentradas em sua capacidade de tomar decisões sobre suas vidas (incluindo questões de saúde sexual e reprodutiva), apresentando oportunidades reais para que a maternidade não seja vista como seu único destino. Este novo paradigma deve ter como alvo as circunstâncias, condições, normas, valores e forças estruturais que perpetuam a gravidez na adolescência, por um lado; e que isolam e marginalizam as mulheres grávidas por outro. As meninas precisam tanto de acesso aos serviços de saúde sexual e reprodutiva e de informação, quanto serem aliviadas das pressões econômicas e sociais que muitas vezes se traduzem em uma gravidez, bem como da pobreza, dos problemas de saúde, e da não realização do seu potencial humano

(...)

É preciso dedicar esforços adicionais para alcançar meninas menores de 15 anos de idade, cujas necessidades e vulnerabilidades são ainda maiores. Os esforços para prevenir a gravidez entre as maiores de 15 anos e o apoio às adolescentes mais velhas que estão grávidas ou que tenham dado à luz podem ser inadequados ou irrelevantes para adolescentes muito jovens. Adolescentes muito jovens têm vulnerabilidades especiais, e muito pouco tem sido feito para entender e responder aos grandes desafios que enfrentam. As meninas que engravidam precisam de apoio, não de estigma. Governos, organizações internacionais, sociedade civil, comunidades, famílias, líderes religiosos e as e os próprios adolescentes têm um papel importante na realização da mudança. Todos vão ganhar ao nutrir as vastas possibilidades que essas meninas, cheias de vida e esperança, trazem consigo.



                                                       Texto 4

Engravidar durante a adolescência pode trazer consequências para o desenvolvimento psicológico e emocional da menina e da criança.
De acordo com a psicóloga Janaina Coniaric, que participou de uma pesquisa da USP em parceria com o hospital Albert Einstein, com adolescentes grávidas da comunidade de Paraisópolis, em São Paulo, esse desenvolvimento depende da relação que a mãe consegue estabelecer com a criança desde o início da gravidez até depois do nascimento.
Se for criado um bom vínculo, de amor e afeto, o impacto negativo pode não acontecer. Esse vínculo pode ser influenciado não só pela idade ou capacidade de amadurecimento da futura mãe, mas também da estrutura emocional de toda a família.
“Mesmo sendo, muitas vezes, um momento de crise e até de ruptura familiar, nem sempre as consequências são desastrosas. O manejo que a gestante e a família vão construindo e a possibilidade de redefinições de papéis podem favorecer ou catalisar um grande crescimento familiar e um amadurecimento verdadeiro na adolescente”, explica Janaina.
Mas a psicóloga alerta para os problemas que podem surgir quando esse vínculo não é suficientemente bom, quando a adolescente e a família não conseguem lidar bem com a situação. Nesses casos, as crianças podem apresentar problemas como depressão infantil, autismo e atraso no desenvolvimento cognitivo O relatório faz algumas sugestões para que os números de gravidez na adolescência possam diminuir. São ações que podem virar leis ou normas e trabalhos de educação a serem desenvolvidos de forma individual, familiar e comunitária:
- Promover medidas e normas que proíbam o casamento infantil e as uniões precoces, ou seja, antes dos 18 anos de idade;
- Apoiar programas de prevenção da gravidez baseados em evidências e que envolvam múltiplos setores e visem os grupos mais vulneráveis;
- Aumentar o uso da contracepção;
- Reduzir as relações sexuais sob coerção;
- Aumentar os cuidados qualificados de pré-natal, parto e pós-parto;
- Incluir jovens na concepção e implementação de programas de prevenção da gravidez;
- Criar ambientes que permitam a igualdade de gênero e ajudar adolescentes a exercerem seus direitos sexuais e reprodutivos.
Uma experiência que muda a vida
A consultora ambiental Maibi Tisian, de 36 anos, passou por esta experiência. Ela engravidou quando ainda estava na escola e sentiu a dificuldade de educar uma criança sendo tão jovem. No depoimento abaixo ela conta como decidiu encarar o desafio de ser mãe adolescente e como essa decisão mudou a vida dela e do então namorado.


(...) 

 Tenho 36 anos e um filho (Guilherme) que completará 19 anos em abril. Engravidei com 16 e tive ele com 17. Namorava há dois anos com o pai dele. Quando descobri que estava grávida foi um susto e também um desespero. Eu costumava me prevenir, porém ocorreu um incidente com o preservativo, o que fez com que eu engravidasse. Passaram mil coisas pela cabeça: o que fazer, se teria coragem de ter a criança, etc.
Contei para minha mãe, fomos ao ginecologista e a gravidez foi confirmada. Já na primeira ecografia, quando ouvi os batimentos cardíacos do bebê, eu tive certeza que teria meu filho e iria amá-lo apesar das circunstâncias.
O pai dele veio morar comigo na casa da minha mãe. Ele tinha um plano de morar fora para concluir os estudos e este plano, então, foi interrompido. Desde que soubemos da gravidez, ele sempre foi muito responsável como pai.
A gravidez foi muito tranquila, eu cursava o ensino médio e continuei os estudos normalmente. Quando o Guilherme nasceu eu estava no terceiro ano do ensino médio. Fiquei uns dois meses sem ir para a escola, mas depois pude contar com ajuda da minha sogra e da minha cunhada para ficar com o bebê no período da noite e continuei a estudar.
Após concluir o ensino médio não pude cursar uma faculdade, pois a cidade que eu morava era muito pequena e as universidades ficavam em municípios mais distantes e eu teria que morar fora. Então ficou inviável.
Nesse período eu abdiquei de muitas coisas que jovens normalmente fazem, como saídas, baladas, etc. Mas naquele momento eu não sentia falta destas coisas.
Só consegui retomar os estudos quando o Guilherme já estava com 3 anos. Naquela época toda minha família resolveu mudar de estado e eu moraria em uma cidade que tinha diversas universidades, inclusive pública, e assim eu poderia estudar e continuar perto do meu filho.
O que eu aprendi com tudo isso, é que uma gravidez na adolescência, quem mais sofre na realidade é a criança, não os pais. Pois como ainda estamos na fase de construir a vida profissional e concluir os estudos, temos que passar muito tempo longe deles para poder trabalhar e estudar e isso com certeza afeta negativamente o desenvolvimento da criança.
Para poder criar e educar muito bem um filho numa idade tão prematura temos que passar por muitas dificuldades e não se aproveita ao máximo os momentos com os filhos. A falta de maturidade também faz com que só tenhamos consciência de tudo que foi perdido anos depois, quando o bebê já virou um adolescente. Claro que essa falta de tempo para com o filho não foi uma opção, mas sim uma necessidade.
Atualmente não estou mais com o pai do Guilherme, pois foi um relacionamento que ocorreu muito cedo e tínhamos objetivos diferentes. Casei novamente, hoje tenho uma filha de 2 anos e tento aproveitar ao máximo os momentos com ela, justamente por sentir que com o primeiro filho isso não foi possível.” 




Nenhum comentário: