sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Tema estilo Unesp: Corte de verbas para ciência, tecnologia e inovação




                          PROPOSTA
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva dissertação, empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema: o corte de verbas para ciência, tecnologia e inovação, no Brasil

CITAÇÕES PARA USAR NESTE TEXTO ( SE QUISER)

Vinci , Leonardo da

Os que se encantam com a prática sem a ciência são como os timoneiros que entram no navio sem timão nem bússola, nunca tendo certeza do seu destino.

Aristóteles

O começo de todas as ciências é o espanto de as coisas serem o que são.

Pessoa , Fernando

A ciência é o querer adaptar o menor sonho ao maior.

 Texto 1

Os países ricos entenderam o poder da ciência Há várias maneiras de defender uma política de ensinar ciência com seriedade. Uma delas é formular uma hipótese simples: se ciência é alguma coisa importante para o progresso das nações, imaginamos que os países bem-sucedidos não deixariam de tomar amplo cuidado com seu ensino. De fato, como nos mostram as comparações internacionais dos testes de rendimento escolar, podemos ver que o ensino de ciência de qualidade não é um capricho ou uma escolha aleatória. Todos os países bem-sucedidos obtêm bons resultados em ciências. É bem verdade que esses países poderiam estar iludidos, pensando erradamente que ciência é importante. Podemos até acreditar que é um consumo de luxo, e que as sociedades ricas ensinariam ciência para o deleite intelectual das pessoas. Mas não é nada provável que tais hipóteses sejam verdade. É possível dar um passo além e verificar que são esses mesmos países economicamente bem-sucedidos que logram publicar mais artigos científicos em revistas prestigiosas.
 Ou seja, produz mais ciência quem mais aprende ciência. Por exemplo, os Estados Unidos são responsáveis por um terço da produção científica do globo. Já o Reino Unido publica 9,4%, a Alemanha publica 8,7 e o Japão 9,2. Israel publica quase o mesmo que o Brasil. Mas sendo sua população inferior a 3 milhões, a produção per capita é da ordem de cinquenta vezes maior do que a brasileira. O próximo passo da cadeia que conecta ensino de ciências com progresso são a geração e o uso da tecnologia. Vemos nos países mais produtivos nas ciências, a pujança de seus avanços tecnológicos. Os indicadores são eloquentes. O número de patentes, royalties, vendas de serviços o demonstra sem ambiguidades.
Os Estados Unidos registraram 1 226 000 patentes internacionais entre 1976 e 2005, contra 975 do Brasil. Em meados do século XIX, aquele país registrava tantas patentes como o Brasil nos dias de hoje. Como mostra a experiência dos países mais pródigos em patentes, para inovar, não é preciso ser cientista ou professor-doutor. Mas é necessário dominar uma base científica mínima para dar respaldo ao desenvolvimento de seus inventos. O volume de vendas de serviços tecnológicos nos Estados Unidos atinge cifras gigantescas, sugerindo que parece haver uma ligação causal associando ensino de ciências, produção científica e geração de tecnologia. Bem sabemos que inventores não precisam ser cientistas consagrados. Mas sem conhecer os princípios básicos que regem o funcionamento da natureza, fica difícil inventar. Em contraste com os países mais ricos, o panorama científico do Terceiro Mundo é morno e medíocre. Os resultados nos testes internacionais mostram a fragilidade de seu domínio científico.
 No PISA, os países não se misturam. Todos os países industrializados ocupam todas as posições no topo. Os outros vêm depois. Não é surpresa que a presença de publicações científicas seja também medíocre. Dentre os vinte países com mais produção científica só o Brasil, a China e a Índia podem ser considerados como Terceiro Mundo. Há um círculo vicioso no ensino de ciências fraco, produção científica fraca, geração insignificante de tecnologia e baixa produtividade da mão de obra. Embora não haja uma conexão causal firme e demonstrável estatisticamente entre ensino de ciências, publicações científicas, patentes, royalties, inovação tecnológica e prosperidade, há uma sugestão muito forte de que uma coisa acarreta a outra. Pode ser mera coincidência que os países excelentes em cada um desses aspectos sejam os mesmos que colhem em sua riqueza os resultados de seu esforço. Mas é altamente improvável que seja coincidência. Apostar que o simples acaso conecta tais fatores é um risco enorme. É o futuro do país que está em jogo. Não obstante, é isso que estamos fazendo, ao permitir que se perpetue um ensino de ciências medíocre nas escolas brasileiras.
(...)
O lastimável desempenho do Brasil
Não chega a haver uma abundância de pesquisas internacionais comparando resultados de desempenho em ciências entre países. Mas o pouco que existe não deixa dúvidas. Uma pesquisa do IEA, em 1991, mostrou que apenas Moçambique, dilacerado por uma guerra civil, tinha um desempenho pior do que o Brasil em ciências. O PISA, embora não focalize ciências como seu tema principal, contém um número de perguntas que permite demonstrar que nosso desempenho no IEA não foi um evento fortuito. De fato, na primeira rodada, saímos em último lugar em compreensão de leitura e fomos igualmente mal em ciências. Dentre os 41 países participantes, nos restou o último lugar. Em contraste, a Coreia do Sul ficou em primeiro. A segunda rodada do PISA ratifica o nosso péssimo desempenho. Os resultados corroboram o que a primeira rodada mostrou. Na prática, mesmo países com o nível de renda do Brasil obtêm resultados bem melhores, como é o caso do Uruguai e da Argentina. Atingimos um patamar considerável de avanço econômico. De fato, estamos em um grupo intermediário, junto com a Colômbia, a Rússia e a Malásia. Não obstante, nosso IDH está nove países abaixo do que se esperaria de nosso nível de renda – ou seja, para nossa renda, deveríamos estar bem melhor. No segundo PISA, apenas conseguimos ultrapassar o Peru, dentre os países da América Latina, uma região de pálidas realizações educativas. Em conclusão, se é verdade que tivemos êxitos consideráveis no campo econômico, nosso atraso na ciência se constitui em peso morto, dificultando nosso crescimento e retardando a modernização. E isso se agrava quando os processos produtivos se tornam mais complexos e incluem maior dose de tecnologia. Em um tear convencional, o tecelão vê a lançadeira passar e, sem grandes esforços de abstração, entende o funcionamento da máquina e pode mesmo regulá-la. Em um tear onde a lançadeira é um jato de ar comprimido, a compreensão dos processos requerida para intervir é muito maior. Os processos acontecem, mas pouco se vê. É a abstração que deve suprir o que os sentidos já não percebem.http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/is000006.pdf


Texto 2 

Converter o conhecimento científico em tecnologias, máquinas e outros produtos pode dar origem a limitações à sua disseminação. De modo geral, os países da Europa e os Estados Unidos tiveram grande sucesso em fazê-lo no passado, o que deu origem às grandes empresas multinacionais que comercializam esses mesmos produtos nos países em desenvolvimento.
Tecnologia é um ingrediente muito importante da globalização porque o comércio internacional depende da produção de bens e serviços que envolvem tecnologias em que propriedade intelectual e patentes precisam ser negociadas. Por essas razões na área tecnológica não ocorreu a globalização que se viu em outras áreas. Ela permaneceu firmemente nas mãos dos países onde foi desenvolvida.
Por exemplo, são poucos os países capazes de construir aviões comerciais porque as tecnologias envolvidas estão nas mãos de empresas multinacionais, como a Boeing, nos Estados Unidos, a Airbus, na Europa, e similares na Rússia.
E por esse motivo que o fato de a Embraer ter conseguido quebraresse monopólio e construir aviões de qualidade fala bem do nível de desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil, beneficiando-se, é claro, da cooperação internacional.
*José Goldemberg é Presidente do Conselho de Sustentabilidade da FecomercioSP
Artigo originalmente publicado no jornal O Estado de S.Paulo no dia 16 de julho de 2018.

Texto 3

Se a ciência brasileira fosse uma pessoa, ela hoje estaria internada na CTI e respirando por aparelhos. Este quadro, considerado "dramático" por especialistas consultados pelo EL PAÍS, é resultado de sucessivos cortes orçamentários nos últimos anos. Em 2017, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) sofreu um corte de 44% do orçamento que estava previsto para este ano. "Agora a gente está brigando para manter os tubos de soro, a alimentação e os remédios essenciais à sobrevivência do paciente", explica Ildeu de Castro Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que se juntou a outras entidades científicas para tentar reverter esta tendência no orçamento de 2018. "Os cortes na ciência mostram uma falta total de percepção do que é importante e o que não é para o desenvolvimento de uma sociedade", opina João Fernandes Gomes de Oliveira,
Os investimentos em ciência no Brasil são feitos majoritariamente pelo Governo Federal via MCTIC, responsável por dezenas de unidades de pesquisas em todo o país, laboratórios em universidades e bolsas de estudo cedidas pelo CNPQ. Esses recursos são distribuídos de forma abrangente e chegam a centros de pesquisas que fazem os mais importantes trabalhos científicos do Brasil. É o caso, por exemplo, dos estudos desenvolvidos na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) sobre o vírus da Zika e da microcefalia que abrem o caminho para a eliminação destas doenças. Estas pesquisas foram publicadas em revistas internacionais, mas hoje correm o risco de serem interrompidas pela falta de insumos biológicos, segundo especialistas. Laboratórios começam a parar.
As cifras destinadas nunca foram altíssimas: em 2010, o orçamento do MCTIC teve um pico de aproximadamente 8,6 bilhões de reais  — corrigido pela inflação, o equivalente a 10 bilhões de reais hoje. Em 2017, já com a pasta de Comunicações incorporada em sua estrutura, o ministério contou aproximadamente com apenas 3,3 bilhões. Estavam previstos 5,8 bilhões inicialmente, isto é, 44% a mais, segundo admite o próprio MCTIC. "E cerca de 700 milhões vão para Comunicações. Isso significa que Ciência e Tecnologia fica com uns 2,5 bi. É 25% do orçamento de 2010, o que significa que você dividiu por quatro a sua capacidade de execução", explica Oliveira, da ABC.
A restrição orçamentária chamou a atenção da comunidade científica internacional e mereceu um artigo na prestigiosa revista Nature23 ganhadores do Prêmio Nobel chegaram a enviar uma carta ao presidente Michel Temer (...).
(...)
Quais são os efeitos dessas tesouradas? "Em primeiro lugar, não tem nenhum projeto de pesquisa novo. E se tem, não está recebendo dinheiro. Já os projetos antigos estão com atrasos. Além disso, houve uma redução de bolsas e os programas vão formar menos mestres e doutores", explica Oliveira. Tanto ele como Moreira também citam a fuga de cérebros. "Os laboratórios começam a parar, mestrados e doutorados ficam atrasados e os jovens e pesquisadores acabam atraídos pela carreira no exterior. Tem gente segurando, mas que certamente vai embora se esta situação perdura", explica o presidente da SBPC. A longo prazo, significa a interrupção de linhas de pesquisas que demoram anos para serem desenvolvidas e que trariam resultados práticos no futuro.

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/11/27/ciencia/1511806311_065202.html


TEXTO 4

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