Publicado em 1972, o relatório “Os Limites do Crescimento” se baseou em dados econômicos e projeções computadorizadas para investigar se haveria limites para o crescimento econômico no modelo como ele vinha ocorrendo no mundo. A conclusão foi que a exaustão dos recursos naturais disponíveis no planeta colocariam esse modelo em xeque até 2072, levando à queda populacional e da capacidade de produção. O trabalho foi o primeiro comissionado pelo Clube de Roma, um grupo de pesquisadores e líderes políticos preocupados com o futuro da humanidade, que havia sido criado quatro anos antes. A pesquisa foi executada por pesquisadores ligados ao MIT (Massachusetts Institute of Technology), nos Estados Unidos. Lançado na forma de um livro que vendeu mais de 16 milhões de cópias, “Os limites do crescimento” popularizou o conceito de “crescimento sustentável”, segundo o qual seria possível ao mesmo tempo crescer e mitigar, de forma relevante, os danos ao meio ambiente advindos do aumento da produção. Desde o princípio, o relatório foi também alvo de críticas. Em especial, a de que teria subestimado a capacidade da tecnologia de resolver problemas relacionados à exaustão dos recursos naturais. Nas décadas seguintes, vários artigos questionaram pontos da metodologia e das conclusões de “Os Limites do Crescimento”. O documento se manteve, no entanto, um marco importante, e o próprio Clube de Roma continuou a encomendar trabalhos que ecoam a linha de “Os limites do crescimento”. Mais de quatro décadas depois do relatório inicial, a entidade lançou, em outubro de 2018 em Roma, seu 46º trabalho, intitulado “Alcançando as Metas de Desenvolvimento Sustentável dentro Dos Limites Planetários”. Ele volta a levantar muitas das conclusões e críticas da década de 1970. “Nosso tempo está se esgotando. Há agora evidências científicas exaustivas de que a humanidade representa tamanha pressão sobre a Terra que não podemos mais excluir a possibilidade de desestabilizar todo o sistema do planeta, prejudicando possibilidades de prosperidade futura” Desta vez, o documento se detém sobre se o atual modelo de desenvolvimento econômico é compatível com aquilo que foi estabelecido na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, um conjunto de metas acordado em 2015 por líderes internacionais no âmbito da Organização das Nações Unidas. Entre elas estão o fim da pobreza, da fome, a paz e a igualdade de gênero. Para tanto, foram considerados dados globais de população, crescimento econômico, saúde e uso de recursos naturais, relativos ao período entre 1980 e 2015. Com o intuito de responder à pergunta “como o mundo pode atingir a Agenda para o Desenvolvimento Sustentável dentro dos limites planetários?”, o trabalho elabora quatro cenários possíveis, em que diferentes tipos de políticas de desenvolvimento dariam a tônica no decorrer de décadas. Ele não considera qual deles seria mais provável, mas organiza argumentos sobre qual seria mais efetivo e desejável. Não desenvolve, portanto, previsões sobre o que pode ocorrer, mas executa um exercício argumentativo sobre por que o modelo de desenvolvimento defendido pelo Clube de Roma há décadas seria o mais desejável. Em cada um dos cenários, os pesquisadores consideram a viabilidade de executar uma outra meta estabelecida em 2015, no chamado Acordo de Paris: a de limitar até o final do século 21 o aquecimento global a entre 1,5º C e 2º C em comparação com a média do período anterior à Revolução Industrial. E as consequências ambientais e sociais de não atingi-la.
Link para matéria: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2018/11/01/O-que-diz-o-grupo-que-estuda-crescimento-sustent%C3%A1vel-desde-1970
© 2018 | Todos os direitos deste material são reservados ao NEXO JORNAL LTDA., conforme a Lei nº 9.610/98. A sua publicação, redistribuição, transmissão e reescrita sem autorização prévia é proibida.
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