“É permitido o uso de WhatsApp e plataformas similares para comunicação entre médicos e seus pacientes, bem como entre médicos e médicos, em caráter privativo, para enviar dados ou tirar dúvidas, bem como em grupos fechados de especialistas ou do corpo clínico de uma instituição ou cátedra, com a ressalva de que todas as informações passadas têm absoluto caráter confidencial e não podem extrapolar os limites do próprio grupo, nem tampouco podem circular em grupos recreativos, mesmo que compostos apenas por médicos.”
Fonte: Parecer CFM nº 14/2017
A criança passa
mal à noite, os pais enviam uma mensagem pelo WhatsApp para o pediatra,
recebem a resposta, têm uma orientação do que fazer, tranquilizam-se e já
marcam a consulta para o próximo dia. A situação de contato entre pacientes e
médicos por aplicativos de troca de mensagens têm crescido e, segundo o
último levantamento realizado pela consultoria britânica Cello Health Insight,
87% dos médicos brasileiros já adotaram o app como forma de comunicação.
O Brasil ocupa o segundo lugar da
lista, ficando atrás somente da África do Sul. Nos Estados Unidos, a taxa é
pequena, de apenas 4%; e no Reino Unido somente 2% aderiu. Mas, afinal, médicos
podem se comunicar com pacientes pelo WhatsApp?
O Conselho Federal de Medicina publicou
um parecer afirmando que não há nada de errado em médicos utilizarem o
aplicativo para responder perguntas dos pacientes. Afinal, já era uma
prática comum médicos atenderem telefonemas para a mesma função. Proibido
é substituir a consulta e o diagnóstico presencial pelo virtual.
“Todos os regramentos dizem respeito a não
substituir as consultas presenciais ou aquelas para completação diagnóstica ou
evolutiva a critério de médico pela troca de informações à distância”, o
conselho explica.
Ana Cristina Zollner, do Departamento
Científico de Bioética da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), contou em
entrevista à revista Crescer que a questão do WhatsApp já foi levantada em
congressos de pediatras. Ela enxerga o aplicativo como algo para
facilitar e oferecer informações mais rapidamente.
“O que nos preocupa são aquelas mães
que querem fazer uma consulta pelo aplicativo. Uma foto, muitas vezes, não é o
suficiente para fazer um bom diagnóstico”, adverte. Para evitar problemas de
interpretação e confusões sobre o uso do WhatsApp na relação entre
paciente-médico, a orientação é alinhar o assunto e fazer combinados. https://www.metropoles.com/vida-e-estilo/bem-estar/saude-bem-estar/87-dos-medicos-brasileiros-usam-o-whatsapp-para-falar-com-pacientes
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O
CFM, enfim, não acusa o que chama de “uso saudável” do WhatsApp, mas sim o
abuso e a violação de regras que afetem a segurança e o sigilo médico, além de
práticas para obter ganho pessoal.
Na linha do que discutimos no nosso
artigo sobre marketing médico, o parecer que regulamenta o uso do aplicativo
retoma proibições que compõem o Manual de
Publicidade Médica, a
exemplo da publicação de selfies durante
qualquer atendimento e imagens de “antes e depois”.
O Conselho aprova o uso tanto em conversas individuais quanto em
grupo, desde que respeitadas as regras do sigilo médico: fica proibido, é
claro, manter conversas de cunho profissional em grupos que contenham pessoas
alheias à medicina. Assim, só é permitido debater questões relativas a
diagnósticos e tratamentos em conversas restritas a médicos.
Se, nessas discussões, for necessário
o uso de imagens que possivelmente identifiquem o paciente, o CFM estabelece a
obrigatoriedade de cumprir as normas da Resolução CFM 1.974/211, ou seja, o
referido Manual de Publicidade Médica. Todo o uso de imagem deve enfatizar apenas a assistência.
Desse modo, a apresentação abusiva, assustadora, enganosa ou
sedutora do corpo humano que sofreu alterações de lesões, doenças e
tratamentos/procedimentos fica vetada.
Outra norma é não compartilhar os assuntos médicos sigilosos em
grupos de amigos, ainda que compostos somente por médicos, uma vez que esses
espaços têm cunho informal e recreativo.
A regra básica, enfim, é manter o sigilo inviolável das
informações de saúde, mantendo o caráter científico ou clínico desse tipo de
interação profissional. De forma semelhante à propaganda em medicina, evitar
qualquer tipo de excesso e sensacionalismo é outro comportamento fundamental.
E
quanto à interação com o paciente? Quais são as restrições?
Quando o assunto é a interação com o
paciente via WhatsApp, o parecer do CFM é claro ao afirmar que “todos os regramentos dizem respeito a não
substituir as consultas presenciais e aquelas para complementação diagnóstica
ou evolutiva a critério do médico pela troca de informações à distância”.
Vale notar que essa proibição está em
voga desde 1942, com o Decreto-Lei nº 4113. O documento, inclusive, antecipa as
possíveis tecnologias por vir, afirmando que a regra abrange “qualquer meio que
venha a ser descoberto a posteriori”.
Interessante, não? Isso em um tempo no qual a comunicação a distância era
movida a cartas, telegramas e telefonia fixa…
E o que o CFM considera como “uso saudável” do
WhatsApp?
Ao fazer uma analogia com a “época do telefone fixo”, o parecer
do CFM afirma que, tal qual o médico que atendia telefonemas de pais aflitos
com um pequeno filho doente, tranquilizando-os, o mesmo pode e deve ser feito
hoje com WhatsApp. A pediatria, inclusive, é uma das especialidades de mais
tradição se falarmos em atendimento a distância…
Observadas as regras de não
diagnosticar, não prescrever terapias e não substituir a consulta médica por
conversas remotas, o CFM considera como uso saudável do app elucidar dúvidas, tratar de aspectos
evolutivos e passar orientações ou prevenções de caráter emergencial ao
paciente que já está recebendo
assistência.
O Conselho acrescenta que, caso seja relevante, o médico também
deve orientar seu paciente a comparecer ao consultório e fazer o registro do
acontecimento no prontuário ou
ficha clínica.
Longe de condenar o uso do aplicativo na prática médica, o CFM
ainda enfatiza que “o WhatsApp ou seus assemelhados são um instrumento de
comunicação extraordinário. Conjuga em sua plataforma as trocas verbais,
gravadas ou telefonadas com imagem ou não, registros digitais de imagens quer
de pessoas, quer de documentos e a troca de mensagens escritas, tal como se
fazia com bilhetes, cartas ou telegramas”.
O cuidado, do mesmo modo que a publicidade médica, está
relacionado a bom senso, cautela com os excessos e ética profissional!
E a classe médica, como fica em meio a tudo isso?
Uma pesquisa realizada pela
consultoria britânica Cello Health, de 2015, mostrou que 87% dos médicos
brasileiros haviam feito uso do WhatsApp nos 30 dias anteriores para se
comunicar com seus pacientes. O número impressiona, principalmente em contraste
com os 4% dos Estados Unidos e dos 2% do Reino Unido.
A grande adesão é muitas vezes explicada pela facilidade de
interação do aplicativo (que não exige resposta imediata, como é o caso do
telefone) e pelo desejo de manter a disponibilidade para o paciente,
incrementando a qualidade do atendimento (principalmente em especialidades como
pediatria, obstetrícia e cardiologia). A possibilidade de diálogo fácil e veloz
com colegas de profissão, para tirar dúvidas, debater casos específicos e
definir os melhores métodos de tratamento também entra na conta como saldo
positivo.
Há quem acredite, ainda, que o aplicativo ajuda a não
sobrecarregar o sistema de saúde, evitando idas desnecessárias ao pronto
socorro. Outros profissionais apostam na acessibilidade da ferramenta como
verdadeiro diferencial do seu serviço.
O uso do app, entretanto, não é unanimidade na classe médica. É
comum acreditar que a prática, muitas vezes, induz ao erro (a lesão de um
paciente vista na tela do celular, por exemplo, pode passar por inofensiva e
não o ser). Existe, ainda, a questão da relação presencial e seu caráter
insubstituível, fazendo com que muitos torçam o nariz para a interação digital.
Interpretações equivocadas das orientações médicas, por parte dos pacientes,
também podem preocupar os profissionais.
A falta de limite no horário de envio e no volume das mensagens
é outro aspecto frequentemente apontado como ônus da prática médica via
WhatsApp. Manter-se disponível é mesmo uma escolha individual, relacionada ao
perfil de cada médico.
Enquanto uns se sentem incomodados, como se vivessem em uma
espécie de plantão constante, outros acreditam que essa abertura é fundamental
para a satisfação e a qualidade do serviço.
Se acompanhada do cumprimento das
regras de conduta (e a uma boa dose de bom senso), enfim, a tecnologia é uma
aliada incontestável da prática médica. Aqui no blog, já vimos como a própria telemedicina ultrapassa fronteiras ao propor
possibilidades incríveis para o serviço em saúde. Site médico, Facebook,
Twitter, Instagram, blog, e-mail e inúmeras outras ferramentas digitais
entregam resultados cada vez melhores para profissionais e pacientes, democratizando
a informação médica qualificada e favorecendo a relação próxima com quem recebe
o atendimento.
Como gostamos de frisar, de fato nada substitui a relação presencial
estabelecida em consultório –
isso jamais vai acontecer! Com o devido zelo pelo exercício da Medicina, no
entanto, é possível explorar da melhor forma as incontáveis potencialidades do
digital. O WhatsApp, tão em alta, também pode incluir esse cenário de grandes
(e benéficas) transformações.
E você, o que pensa de tudo isso? O app faz parte da sua rotina
de trabalho? Acredita que o aplicativo é um grande aliado do atendimento ou
acha que a prática traz mais problemas do que benefícios?
Comente para deixar sua opinião e participe desse debate com a
gente! http://blog.imedicina.com.br/whatsapp-e-pratica-medica/
Recursos
tecnológicos que auxiliam a atender a distância são um caminho irreversível,
pois o tempo dos médicos no mundo é insuficiente diante das demandas”, avalia o
urologista Miguel Srougi. “Cabe a nós saber quando o encontro ao vivo com o
paciente é fundamental.” Para quem busca ajuda, vale lembrar que, a despeito da
facilidade digital, às vezes, o melhor remédio é agir à moda antiga. Certa vez,
por exemplo, um paciente do infectologista David Uip lhe mandou mensagem de
madrugada, que ele não visualizou por estar dormindo. “No dia seguinte, a mãe
telefonou avisando que o garoto havia sido internado devido a um processo
alérgico grave. Uma ligação teria sido, é claro, o melhor caminho.”
ALÉM DA CLÍNICA
A troca de
mensagens não é unanimidade entre especialistas
Nunca usa:
“Logo na
primeira consulta, compartilho meu telefone, mas aviso à família que não
conversarei por mensagem de texto de nenhuma natureza. Esse tipo de prática
pode levar a um erro de diagnóstico. Também atuo na área do direito e sei que
essas conversas podem ser usadas como prova contra um profissional.” Claudio
Barsanti, pediatra
“Deixei de
usar o aplicativo depois que um paciente fez uma pergunta, eu o orientei a
procurar um dentista e ele respondeu que esperava mais de mim. Aboli o WhatsApp
da minha vida, não falo nem com minha família por esse meio. A palavra escrita corre
o grande risco de ser mal interpretada.” Mauricio Wajngarten, cardiologista
Mauricio
Wajngarten, cardiologista
Usa pouco:
“Apenas três
ou quatro pacientes falam comigo por mensagem. São pessoas que precisam de um
cuidado especial, com urgência. Eu prefiro ouvir o paciente pelo telefone,
perceber por sua respiração se a pessoa está ansiosa. Em caso de emergência,
eles têm um número especial para me ligar.” Antonio Carlos Buzaid, oncologista
“Sou formado
há quarenta anos e tenho por hábito não prescrever, não ver exame sem olhar e
falar pessoalmente como paciente. Eu não sei dar diagnóstico por imagem de
celular, meu trabalho é tocar, ver a característica da lesão. Estou no
aplicativo para o caso de alguém precisar de mim com urgência, mas existe um
limite.”Artur Timerman, infectologista
(/)
Usa
bastante:
“Eu prefiro
que me passem mensagem do que telefonem. Assim, eu posso selecionar com quem
falar imediatamente. O médico precisa dar o tom, impor a dinâmica desse
contato. Consigo transmitir segurança a distância, sem fazer a pessoa sair de
casa. Isso promove uma fidelização com quem você atende.” Claudio Lottenberg,
oftalmologista
(/)
“Eu adoro o
WhatsApp. É um aplicativo direto e objetivo. Uso para manter contato com as
mulheres e ficar mais próximo delas, além de deixá-las mais tranquilas. Recebo
cerca de quarenta dúvidas em dias úteis e o fluxo diminui nos fins de semana.
Por isso acho que elas sabem usar, não tenho do que reclamar.”José Bento de
Souza, ginecologista

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