Este pensador sul-coreano escreveu que nos tornamos carrascos/patrões mandões de nós mesmos. Isso porque nos cobramos desempenho. Precisamos 'bombar' e ser os tais. Ele pode ser citado ( mas decore direito o nome do carinha) em temas ligados ao estresse, à depressão. Pega bem ( hu hu!) usar o coreano como causa, ou melhor, como explicação do porquê de as pessoas estarem tão deprimidas etc em suas vidas...
DECOREM O NOME DO FILÓSOFO
Byung-Chul Han
A sociedade do cansaço que Han problematiza é efeito de uma sociedade do desempenho. “A sociedade de hoje é uma sociedade de academias de fitness, prédios de escritórios, bancos, aeroportos, shopping centers e laboratórios de genética. A sociedade do século XXI é uma sociedade de desempenho”. Nela, o discurso motivacional e seus efeitos colaterais estão crescendo desde o início do século XXI e este discurso não mostra sinais de desaquecimento. Religiões tradicionais estão perdendo adeptos para novas igrejas que trocam o discurso do pecado pelo encorajamento e autoajuda. As instituições políticas e empresariais mudaram o sistema de punição, hierarquia e combate ao concorrente pelas positividades do estímulo, eficiência e reconhecimento social pela superação das próprias limitações. Byung-Chul Han mostra que a sociedade disciplinar e repressora do século XX, descrita por Michel Foucault na década de 1970, perde espaço para uma nova forma de organização coercitiva: a violência neuronal. “A violência neuronal não parte mais de uma negatividade estranha ao sistema. É antes uma violência sistêmica, isto é, uma violência imanente ao sistema”. As pessoas cobram-se cada vez mais para apresentarem melhores resultados, tornando-se, elas próprias, vigilantes, e carrascas, de suas ações. A ideologia da positividade é perversa, nos faz submetermos-nos a trabalhar mais e a receber menos.
Uma das principais consequências é um aumento significativo de doenças como depressão, transtornos de personalidade, síndromes como hiperatividade. Na sociedade do desempenho todas as atividades humanas decaem para o nível do trabalho e o homem se torna “hiperativo e hiperneurótico”.
Para a jornalista Eliane Brum, no interessante artigo “Exaustos-e-correndo-e-dopados”, publicado em sua coluna na versão brasileira do jornal espanhol El País em julho deste ano: “Quando tudo é urgência nada é urgência. Ao final do dia que não acaba resta a ilusão de ter lutado todas as lutas, intervindo em todos os processos, protestado contra todas as injustiças. Os espasmos esgotam, exaurem, consomem. Mas não movem. Apaziguam, mas não movem. Entorpecem, mas será que movem?”. Como resposta, ela busca o livro de Han e aoponta: “Em nome de palavras falsamente emancipatórias, como empreendedorismo, ou de eufemismos perversos como “flexibilização”, cresce o número de “autônomos”, os tais PJs (Pessoas Jurídicas), livres apenas para se matar de trabalhar. Os autônomos são autômatos, programados para chicotear a si mesmos. E mesmo os empregados se “autonomizam” porque a jornada de trabalho já não acaba. Todos trabalhadores culpados porque não conseguem produzir ainda mais, numa autoimagem partida, na qual supõem que seu desempenho só é limitado porque o corpo é um inconveniente”. Para Brum, “a sociedade do desempenho, para a qual teríamos ‘evoluído’, ao contrário, produz depressivos e fracassados. A sociedade de desempenho, nas palavras de Han, produz infartos psíquicos”.https://obenedito.com.br/sociedade-cansaco/
A propósito das patologias neuronais, elas seriam próprias do sistema de desempenho e de produção em que vivemos. Diferentemente da sociedade disciplinar do século passado, em que o sujeito devia explicações a um terceiro e por ele era cobrado, na sociedade atual, o sujeito é empresário de si mesmo e, portanto, é consigo mesmo que ele entra em guerra na eterna busca de se autossuperar. O processo de autossuperação produziria indivíduos depressivos e fracassados. Cabe lembrar aqui que a queda da instância dominadora da sociedade disciplinar para a nossa, “não leva à liberdade”, como muitos podem pensar, “ao contrário, faz com que liberdade e coação coincidam”.https://alias.estadao.com.br/noticias/geral,escritor-sul-coreano-byung-chul-han-analisa-o-mundo-atual-em-livro,70001959716

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