sexta-feira, 12 de julho de 2019

Proposta de Redação: o ódio e a polarização na política brasileira


ilustração da Profa Rose


AULAS PARTICULARES DE REDAÇÃO. TODOS OS VESTIBULARES. ON LINE OU PRESENCIAIS.

Veja a avaliação das minhas aulas, feitas por ex-aluno. Informe-se: https://www.facebook.com/pg/aula.de.redacao.online/reviews/?ref=page_internal
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                                 PROPOSTA 

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma-padrão da língua portuguesa sobre o tema: ódio e polarização na política brasileira. Apresente proposta de ação social que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

 ‘’Do mesmo modo como as manifestações da semana passada em favor da reforma da Previdência e de outras propostas do governo não podem ser confundidas com o golpismo explícito de uma minoria estridente, os protestos da quinta-feira passada contra os cortes na Educação não podem ser vistos como um movimento capitaneado pelos petistas que ali estiveram. Em ambos os casos, pessoas comuns, sem vinculação partidária ou sindical, exerceram seu legítimo direito de manifestação, sem incidentes e vandalismo, sintoma de uma democracia saudável.
Contudo, os irresponsáveis não se dão por vencidos. Na passeata dos estudantes contra o governo, havia carros de som da Central Única dos Trabalhadores (CUT), braço sindical do PT, além da presença dos conhecidos oportunistas dos movimentos de sem-terra e de sem-teto. Em Brasília, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, subiu num carro de som, prometeu mobilização permanente nas ruas e desafiou o presidente Jair Bolsonaro: “Nós não temos medo de você”.
Já o líder petista Rui Falcão celebrou a manifestação dos estudantes dizendo que “hoje é dia de Lula”, sem explicar exatamente o que os cortes na área de Educação têm a ver com o presidiário petista. Por fim, mas não menos significativo, o PT pegou carona nos protestos para lançar suas palavras de ordem contra a reforma da Previdência, numa descarada tentativa de sequestrar, para seus propósitos deletérios, o legítimo movimento dos estudantes e professores.
Enquanto isso, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, exercia aquela que parece ser sua principal habilidade — provocar protestos contra sua pasta e contra o governo. Depois de ter sido o responsável direto pelas expressivas manifestações do dia 15 passado, por ter dito que cortaria verbas de universidades que, em sua opinião, se dedicavam à “balbúrdia”, Weintraub advertiu os estudantes e professores que o Ministério da Educação (MEC) está atento àqueles que, segundo ele, estavam “coagindo os alunos” a participarem dos protestos contra o governo. E o titular da Educação foi além: em nota oficial, mandou dizer que “professores, servidores, funcionários, alunos, pais e responsáveis não são autorizados a divulgar e estimular protestos durante o horário escolar” e que essa atitude deve ser denunciada ao MEC. Ou seja, o ministro da Educação acha que pode exigir que até mesmo os pais de alunos sejam proibidos de externar suas opiniões políticas, sob o argumento de que atrapalham a aula.
É óbvio que tal atitude provocará novas manifestações — tão óbvio que é natural presumir que seja exatamente isso o que o ministro Weintraub pretende.
Nesse ponto, portanto, os extremos se tocam e se alimentam reciprocamente. Para o PT, quanto mais o governo chamar para a briga, melhor, pois recoloca o partido em evidência depois das sovas eleitorais que sofreu em razão do profundo descrédito em que caiu, por ter sido o grande protagonista da crise política, econômica e moral que abalou o País; para o governo, ao que parece, quanto mais os petistas se assanharem, melhor, pois isso mantém vivo o inimigo criado para eleger o presidente Jair Bolsonaro, um político inexpressivo cuja única promessa concreta na campanha era encarnar com todas as suas forças o ódio contra o PT; ao mesmo tempo, e talvez isso seja o mais importante, o entrevero com os petistas ajuda a desviar a atenção da espantosa falta de talento de Bolsonaro para governar.
É evidente que ninguém ganha com isso, exceto os extremistas. O momento crítico que o Brasil vive demanda sobretudo serenidade e disposição para o diálogo. O País não pode se perder em disputas estéreis, estimuladas com o único propósito de causar confusão — hábitat natural dos demagogos em geral. É perda de tempo esperar que o PT se emende, pois esta é sua natureza; já do presidente da República e de seus ministros, se realmente estiverem interessados em um “pacto” republicano, espera-se que deixem de fomentar atritos inúteis, pois estes só se prestam a alimentar a polarização que tanto mal está fazendo ao País’’. https://opiniao.estadao.com.br/noticias/notas-e-informacoes,a-quem-interessa-a-polarizacao,70002851899
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ANÁLISE DO UOL SOBRE A POLARIZAÇÃO POLÍTICA NO BRASIL E NO MUNDO.
ACESSE O LINK. ELE É DE 2018, MAS APRESENTA ÓTIMA ANÁLISE DO FENÔMENO.
Em 2016, durante as manifestações do Impeachment, pela primeira vez na história de Brasília (DF) um muro de metal dividiu ao meio a Esplanada dos Ministérios. Ele foi instalado para tentar manter a segurança de manifestantes de posições contrárias (pró e contra governo). A divisão em frente ao Congresso Nacional simbolizou a escalada das tensões, num muro que representava também a divisão ideológica do país. Desde 2013 o país vive uma crise política marcada por momentos-chave: os protestos de junho de 2013, os panelaços antigoverno, o Impeachment de Dilma Rousseff (2016), a prisão do ex-presidente Lula (2018) e a greve dos camioneiros (2018). Muitas manifestações reverberaram  o n... - Veja mais em https://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/politica-a-polarizacao-radical-no-brasil.htm?cmpid=copiaecola
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“Em tempos de ódio, parece que nossa melhor saída é a transgressão pelo afeto”.
A frase que encima essa coluna é de Iacyr Anderson Freitas, um dos maiores poetas brasileiros contemporâneos. Ela revela bem o estranho e perigoso momento que estamos vivendo, no qual posicionarmo-nos em relação a todo e qualquer assunto, dos mais singelos aos mais polêmicos, tornou-se um exercício complexo. A sociedade brasileira encontra-se dividida em duas porções, a das pessoas que pensam como nós (os bons, inteligentes e honestos) e a das que pensam diferente de nós (os maus, burros e corruptos). A partir desse dualismo primário temos redefinido nossas amizades, amores e visão de mundo. Aceitar isso, no entanto, é trilhar o caminho pantanoso da mediocridade.
Recentemente, voltando de uma viagem de trabalho a Macau, ouvi, no trecho entre Dubai e São Paulo, um homem de seus trinta anos explicando à jovem argentina que regressava a Buenos Aires após o intercâmbio de um ano na Austrália, que a principal característica dos brasileiros era a tolerância. Decerto, ele buscava impressionar a moça com uma conversa mais intelectualizada e evocava a favor de seus argumentos todos aqueles estereótipos autocomplacentes que usamos para absolver as nossas mazelas, a “democracia racial”, a “alegria”, a “liberdade sexual”, a “diversidade da composição étnica”, etc.
Se pudesse interferir na conversa deles – o que não fiz – teria perguntado se podemos classificar de tolerante uma sociedade racista (que discrimina os descendentes de africanos e os índios), machista (cerca de cinco mil mulheres mortas por ano, o quinto maior índice de feminicídio do planeta), homofóbica (líder mundial de assassinatos de homossexuais), xenófoba (no caso, nossa intransigência é seletiva, apenas contra imigrantes pobres), e também, descobrimos há não muito tempo, fascista. Porque é uma atitude autoritária tentar impor nossas opiniões ao outro, e, quando frustrados, procurarmos desclassificar agressivamente nosso interlocutor. O totalitarismo não tem lado – ceifa à esquerda e à direita com a mesma intensidade.
O dramaturgo e cronista Nelson Rodrigues definiu certa vez o Brasil como a “pátria de chuteiras”. Dizia-se, na década de 1970, auge do futebol nacional, que éramos 90 milhões de técnicos, tal a paixão despertada pelo chamado esporte bretão. O país mudou, o futebol entrou em decadência, e transferimos e aprofundamos nosso ardor para a política. É no campo de batalha da internet que exercitamos hoje o papel de julgadores de nossos adversários, tornados de maneira sumária nossos inimigos. Envergando a toga da intolerância e sentados na cadeira das certezas absolutas, avaliamos implacáveis uns aos outros, condenando, cegos pelo ódio e pelo ressentimento, todo aquele que de nós ousar divergir, mesmo que minimamente.
O totalitarismo não tem lado – ceifa à esquerda e à direita com a mesma intensidade
O presidente Getúlio Vargas, que chegou ao poder por meio de um golpe de estado em 1930, renovado em 1937 com a instituição de uma ditadura, implementou sob seu governo uma legislação trabalhista e introduziu o Brasil na era industrial, criando as bases da nossa modernidade. O cognominado “pai dos pobres” administrou o país com mão de ferro, perseguindo os opositores – principalmente os comunistas – e entupindo as cadeias de presos políticos. Vargas tinha como lema “aos amigos, tudo, aos inimigos o rigor implacável da lei”, prática que parece revivida nos tempos que correm.
Quando crianças, ainda despidos de uma bagagem emocional e intelectual mais sofisticada, tendemos a separar as coisas do mundo em pares antagônicos para melhor entendê-lo: o dia e a noite, o doce e o salgado, o frio e o quente, o mocinho e o bandido. Trata-se de uma visão egocêntrica e rudimentar, que entretanto se transforma e diversifica à medida em que nos tornamos adultos. O problema é que nós, os brasileiros, por algum motivo, permanecemos confinados a essa visão infantilizada e binária que nos impede de enxergar algo que até a autora de best-seller erótico Erika Leonard James já descobriu: entre o preto e o branco há pelo menos 50 tons de cinza...
Comecei esse artigo evocando um poeta, termino citando o escritor Jeferson Tenório, que em artigo no jornal Zero Hora, sentenciou: “Em tempos de ódio, parece que nossa melhor saída é a transgressão pelo afeto” https://brasil.elpais.com/brasil/2016/03/30/opinion/1459339584_372231.html
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Você já entrou em uma discussão política com alguém de posição oposta à sua? Eu já! O então “adversário”, que eu conhecia há 3 anos, hoje não fala mais comigo. Seria possível um debate franco entre “esquerda x direita” sem que se crie ódio um pelo outro?
O diálogo entre os dois espectros é indispensável, mas no Brasil ele existe? Tenho posição definida, mas gosto de me manter imparcial em relação ao que leio. Costumo acessar sites de esquerda e também leio artigos de escritores da direita, quase sempre de tocaia, leio a notícia e depois passo pela seção de comentários.
Já pude perceber que se estou em um ambiente esquerdista e alguém da direita comenta por lá (ou vice-versa), esta pessoa será — com toda a certeza — massacrada! É quase impossível se estabelecer um diálogo respeitoso entre as duas partes, isto não acontece somente com anônimos. “Ícones” dos dois lados (tais como Caetano Veloso e Olavo de Carvalho, por exemplo) também não costumam trocar gentilezas.
Quem perde com essa ausência de debate civilizado? A resposta é fácil: o país!
Hoje estamos em meio a uma guerra cibernética de ideologias. São os “idiotas úteis” contra os “reacionários”, mas por que há tanto ódio entre os dois lados? Já temos e/ou tivemos ditaduras de esquerda e de direita mundo afora e — imagino eu — a maioria da população brasileira é contra quaisquer ditaduras.
Se eu estiver mesmo certo neste ponto, faria sentido toda essa insistência em tentar calar alguém com uma opinião divergente da sua? Tal atitude só explicita o pensamento totalitarista, logo, hipócrita destes indivíduos que pregam a democracia mas não aceitam contradições.
Seria possível uma nação prosperar sem que houvesse oposição às ideias do governo? Talvez… Mas para dar certo, esse teria de ser o país com as pessoas mais sinceras e bem intencionadas do mundo, caso este que não é o do Brasil.
Com o cenário atual, de ódio a ideias opostas, o país só tem a perder. Sei que isso ocorre em qualquer parte do mundo, afinal, a intolerância entre esquerda e direita não é uma exclusividade nossa, mas e se houvesse um diálogo aberto e civilizado entre os dois lados, os debates políticos não seriam melhores e mais interessantes?
Sem essa conversação tão importante, o avanço corre sério risco de ser retardado, uma vez que temos um lado ignorando ideias progressistas (favoráveis ao progresso, não necessariamente esquerdistas) do lado oposto.
Temos um imenso número de analfabetos políticos — o que é triste —, imagino que o motivo primordial seja a falta de interesse no assunto, simples e puramente. Porém, acredito que outros deixam de se alfabetizar pelo fato de não quererem entrar em um ambiente tão hostil. É raro encontrar uma pessoa que não compartilhe de sua opinião e mantenha um debate sem ofensas. A meu ver, isso acaba sendo um desserviço à juventude despolitizada.
Precisamos aprender a dialogar e respeitar quem tem opiniões contrárias, ao invés de crucificá-las e demonizá-las ao primeiro sinal de divergência ideológica.
Você que é de esquerda, acha mesmo que todos da direita são pessoas ruins?
Você que é de direita, acha mesmo que todos da esquerda são pessoas ruins?
Coloque-se de forma imparcial e reflita sobre, faça sua parte neste ponto e ajude a melhorar o debate político entre indivíduos de posições opostas para que isso deixe de ser um problema (quase um tabu). No final, somos apenas cidadãos que acreditam em caminhos diferentes para a prosperidade da nação. https://www.elhombre.com.br/o-odio-entre-direita-e-esquerda-esta-atrasando-o-brasil/



terça-feira, 25 de junho de 2019

INTERPRETAÇÃO DE UM TRECHO DE KAFKA


'É bom quando nossa consciência sofre grandes ferimentos, pois isso a torna mais sensível a cada estímulo. Penso que devemos ler apenas livros que nos ferem, que nos afligem. Se o livro que estamos lendo não nos desperta como um soco no crânio, por que perder tempo lendo-o? Para que ele nos torne felizes, como você diz? Oh Deus, nós seríamos felizes do mesmo modo se esses livros não existissem. Livros que nos fazem felizes poderíamos escrever nós mesmos num piscar de olhos. Precisamos de livros que nos atinjam como a mais dolorosa desventura, que nos assolem profundamente – como a morte de alguém que amávamos mais do que a nós mesmos –, que nos façam sentir que fomos banidos para o ermo, para longe de qualquer presença humana – como um suicídio. Um livro deve ser um machado para o mar congelado que há dentro de nós“ —  Franz Kafka The Metamorphosis

Referência:
https://citacoes.in/autores/franz-kafka/

TEMA ESTILO ENEM: ACIDENTES DE TRÂNSITO

ALUNOS PODEM FILMAR PROFESSORES?

TEMA PARA ENEM: O DESAPARECIMENTO DAS ABELHAS


AULAS DE REDAÇÃO PARTICULARES? INFORME-SE. SEMPRE HAVERÁ UM LUGAR PARA VOCÊ
A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo na modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “ A catástrofe do desaparecimento das abelhas”, apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

Instruções Enem:
  1. O rascunho da redação deve ser feito no espaço apropriado.
  2. O texto definitivo deve ser escrito à tinta, na folha própria, em até 30 linhas.
  3. A redação com até 7 (sete) linhas escritas será considerada “insuficiente” e receberá nota zero.
  4. A redação que fugir ao tema ou que não atender ao tipo dissertativo-argumentativo receberá nota zero.
  5. A redação que apresentar proposta de intervenção que desrespeite os direitos humanos receberá nota zero.
  6. A redação que apresentar cópia dos textos da Proposta de Redação ou do Caderno de Questões terá o número de linhas copiadas desconsiderado para efeito de correção.
letra de Milton Nascimento

Tudo que move é sagrado
E remove as montanhas
Com todo cuidado, meu amor
Enquanto a chama arder
Todo dia te ver passar
Tudo viver ao teu lado
Com o arco da promessa
No azul pintado pra durar

Abelha fazendo mel
Vale o tempo que não voou
A estrela caiu do céu
O pedido que se pensou
O destino que se cumpriu
De sentir teu calor
E ser todo
Todo dia é de viver
Para ser o que for
E ser tudo

APRENDA A LETRA E CANTE JUNTO




TEXTO 1

Em três meses, meio bilhão de abelhas foram encontradas mortas no Brasil. É o que aponta o levantamento da Agência Pública e Repórter Brasil. O professor Tiago Maurício Francoy, do curso de Licenciatura em Ciências da Natureza da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP e especialista em abelhas, explica por que isso está acontecendo e qual alerta temos que ter diante da estatística.
“O que acontece é que as abelhas precisam buscar néctar e pólen das flores e elas acabam visitando as plantações, e esse uso de agrotóxicos, que aqui no Brasil está se tornando cada vez mais intenso e prejudicial, acaba por levar à morte essas abelhas”, afirma Francoy.
O regimento de agrotóxicos no Brasil está indo em direção contrária ao que os países desenvolvidos estão fazendo. “Esses agrotóxicos estão banidos na Europa e nos Estados Unidos há muito tempo já. E aqui, no Brasil, estamos seguindo o caminho inverso e liberando cada vez mais agrotóxicos.”
O especialista pontua que a morte das abelhas provavelmente é maior do que apenas meio bilhão em três meses, “porque quem está fazendo essa conta de quantas abelhas morreram são os apicultores, é quem vai todo dia à colmeia e vê que a abelha morreu. Mas o que acontece é que nós temos ainda uma diversidade de abelhas nativas, tanto sociais quanto solitárias, que estão morrendo silenciosamente, sem ninguém se dar conta, por viverem em matas ou entornos.”
A importância das abelhas vai muito além da produção de mel, tendo o papel fundamental de polinização. “As abelhas no mundo são responsáveis pela polinização de 75% de todas as plantas com flores que nós temos disponíveis no planeta.”
O uso indiscriminado de agrotóxicos na produção agrícola gera um ciclo vicioso. “A gente usa o agrotóxico para tentar fazer com que menos pragas vão às plantações para devastar aquelas plantações, só que, junto com as pragas morrem também os insetos benéficos. E aí você diminui a produtividade, porque tira o polinizador. E aí você desmata mais o entorno, diminui a área onde a abelha pode morar, usa mais agrotóxico para tentar aumentar a plantação. Só que você diminui a população de polinizadores e diminui também a produção, e assim vai…”, explica o especialista.
Além da produção agrícola, as abelhas também são importantes para as áreas verdes, de preservação ambiental. “Em qualquer área de preservação, sem abelhas você tem uma queda brusca na reprodução dessas plantas, e isso leva a uma diminuição na produção de frutos, do tamanho da área verde… e aí entra numa cadeia destrutiva, porque a planta é alimento de herbívoro, herbívoro é alimento de carnívoro. Se você começa a diminuir um, você vai afetar a cadeia inteirinha.”
A EACH está desenvolvendo um trabalho de conscientização sobre abelhas nativas sem ferrão, chamadas de jataía, que são sociais e também produzem mel. “A vantagem é que, por não terem ferrão, você consegue criar essas abelhas no fundo de casa. Então, estamos começando agora uma série de cursos que nós vamos ministrar na USP Leste, justamente para ensinar a população em geral a criar essas abelhas. Obviamente nosso intuito é de preservação, mas também demonstrar à população a parte da importância e também deles poderem explorar numa espécie de agricultura familiar e tirar até uma renda do mel produzido dessas abelhas.” https://jornal.usp.br/atualidades/morte-de-meio-bilhao-de-abelhas-e-consequencia-de-agrotoxicos/


 texto 2

Abelhas são conhecidas por produzirem mel, cera, própolis e pólen. Também a preciosa geleia real e até o seu veneno, utilizado na apiterapia. As abelhas listradas em preto e amarelo fazem parte do imaginário coletivo por serem comumente retratadas em desenhos e livros infantis. E há quem só se lembre das abelhas pelo doce de seu mel ou pela dor de sua picada.
Mas o que a maioria das pessoas desconhece é que as abelhas cumprem um papel infinitamente mais relevante: são os melhores e mais eficientes agentes polinizadores da natureza, responsáveis pela reprodução e perpetuação de milhares de espécies vegetais, produzindo alimentos, conservando o meio ambiente e mantendo o equilíbrio dos ecossistemas.
Também poucos sabem que existem no mundo mais de 20 mil espécies de abelhas. Só no Brasil são mais de 3 mil espécies, a maioria de abelhas nativas sem ferrão.
Em meio a todo este rico, mas desconhecido universo, nos últimos anos um problema pauta a apicultura em todo o mundo: o desaparecimento e a morte massiva das abelhas. De proporções expressivas – só nos EUA mais de 1/3 dos enxames têm sido perdidos todos os anos.
Sem as abelhas, tanto a renovação das matas e florestas, como a produção mundial de frutas e grãos ficariam comprometidas. O equilíbrio dos ecossistemas e da biodiversidade sofreria um sério impacto, o que afetaria diretamente o ser humano de diversas maneiras.
(...)
Porque são elas tão importantes?

A função principal, ou mais explorada, das abelhas é a da polinização. O papel das abelhas neste processo é crucial, já que se descobriu que cerca de 2% das abelhas selvagens do planeta são responsáveis pela polinização de 80% das culturas mundiais.
Isto significa que sem abelhas não haveria frutos silvestres, tomates, abacates, couves, maçãs, amêndoas, laranjas, entre muitos, muitos outros alimentos. O que significaria, então, a uma escala global, o desaparecimento das abelhas? Possivelmente, enormes dificuldades em produzir comida para toda a população do mundo.
A Importância das Abelhas na Cadeia Alimentar
Mas não só são os humanos a beneficiar dos alimentos que existem graças às abelhas. Os animais também se alimentam de vegetais, pelo que também eles sofreriam.
As abelhas são responsáveis por grande parte da polinização mundial de alfafa, que é amplamente usada para alimentar gado. Aqui, a importância das abelhas manifesta-se indiretamente, mas sabemos que se não houver abelhas, não haverá alimentos para os animais herbívoros.
Por sua vez deixariam de alimentar os animais carnívoros, destruindo a agricultura e a indústria, por exemplo, de alimentos lácteos.
A Importância das Abelhas para os Ecossistemas
Imaginemos que não mais existiam abelhas. O que é que representaria para os ecossistemas? Resposta simples: o fim deles.
Se não houver abelhas, não se dá 80% da polinização, não haverá alimentos para grande parte dos pássaros, insetos e outros animais, toda a cadeia alimentar sofre, os animais morrem. O ecossistema fica destruído.
Além disso, as abelhas contribuem em muito para a biodiversidade no planeta. Um exemplo? As abelhas polinizam flores selvagens que enriquecem as paisagens e jardins.
A Importância das Abelhas como indicadores de Saúde
Sabia que as abelhas são um importante indicador da saúde de um ecossistema ou habitat?
As abelhas estão organizadas em colônias, cuja esperança de vida é de vários anos. A presença de uma colônia duradoura de abelhas indica a saúde do ecossistema. As abelhas são dos insetos mais sensíveis e que menos tolerância a alterações climáticas têm. Se vir um jardim cheio de abelhas (o que é raro, hoje em dia) sorria, é bom sinal!
O que está matando as Abelhas?
Os especialistas estão preocupados com a diminuição das populações, principalmente na Europa e na América. As razões para esta quebra nas populações incluem: agricultura intensiva, uso de pesticidas, poluição, introdução de espécies de diferentes partes do mundo, doenças, uso de culturas geneticamente modificadas e alterações climáticas – lembre-se que as emissões de dióxido de carbono voltaram a aumentar.
Além destas, os cientistas apontam mais uma razão: dedicar extensas áreas ao cultivo de uma única cultura cria habitats pobres para polinizadores como as abelhas. De notar que a criação em massa de abelhas e o seu transporte também causa a propagação de doenças entre as colônias.
O que se Pode Fazer para Ajudar?
Um estudo recente, em que se fez uma experiência, mostrou que um aumento da temperatura média de 1,8ºC a 2,6ºC – o mesmo aumento que se espera vir a ter a nível mundial até 2099 – é fatal para as abelhas. Combater o aquecimento global ajuda a preservar as abelhas e os ecossistemas do planeta.
Limitar o uso de pesticidas e preferir produtos biológicos também é uma boa forma de contribuir para a conservação das abelhas e aumento das suas populações – além dos efeitos benéficos para a saúde, para os ecossistemas e para centenas de outras formas de vida que não as abelhas.
Procure ter no seu jardim diversidade de plantas “amigas das abelhas”: manjerico, funcho, malva, manjerona, orégano, alecrim, tomilho, hortelã, margaridas, girassóis, papoilas… muitas flores!
E como as abelhas também precisam de água, se estiver mesmo investido em fazer a diferença para as abelhas do seu jardim, pode optar por deixar uma pequena taça com água fresca para as abelhas beberem. Mas lembre-se! Também afogam, pelo que coloque algumas pedras na taça para reduzir a profundidade da água.
Entraria numa sala cheia de abelhas? Há quem não tenha medo…
Uma outra precaução a ter, e muito importante, é a atenção às vespas asiáticas que, como sabemos, são uma espécie invasora e predadora das abelhas e das vespas comuns. https://www.revistaprosaversoearte.com/a-importancia-das-abelhas-e-porque-precisamos-delas/

texto 3

O que pode ser feito?

Políticas públicas que incentivem a redução do uso de agrotóxicos e promovam a variedade de culturas (em detrimento de monoculturas que limitam a diversidade da alimentação das abelhas) têm potencial de criar um ambiente natural para atrair abelhas.
Mas há outras formas de colaborar, mesmo para quem vive em zonas urbanas:
  • Plante flores diferentes em vasos ou no jardim para oferecer uma dieta rica e variada às abelhas. Caso floresçam em diferentes épocas do ano, melhor ainda. "Se a diversidade de abelhas em áreas urbanas aumentar, elas podem migrar para áreas agrícolas", diz Vergara. "Em 30 ou 50 anos, teríamos um aumento na diversidade e abundância de abelhas no campo", completa.
  • Não use produtos químicos ou inseticidas, pois podem ser novicos para as abelhas. Isso é particularmente prejudicial quando as plantas estão floridas, uma vez que os químicos entram em contato com o néctar e o pólen, e as abelhas podem levá-los para as colmeias.
  • Deixe flores silvestres e ervas daninhas no jardim: são bons alimentos para as abelhas.
  • Construa um "hotel para abelhas": você pode comprar ou criar uma estrutura de madeira com furos, que servirá como ninho para abelhas solitárias - que são a grande maioria.
  • Torne-se um apicultor: não há necessidade de morar no campo para criar abelhas. A apicultura urbana é praticada em muitas cidades. Busque uma associação local, aprenda o necessário e transforme a apicultura em um hobby.
  • Perca o medo: as abelhas não visam atacar você, porque se ela provavelmente morrerá ao te picar. Elas só fazem isso quando se sentem ameaçadas. Se uma abelha pousar em você, mantenha a calma e espere ela sair. Não fique perto da entrada de uma colmeia ou no caminho entre as flores e a colmeia. E aprenda a diferenciá-las das vespas, que podem, sim, picar sem motivo aparente.
  • Deixe um prato de água no jardim ou no quintal: você pode não saber, mas as abelhas também sentem sede.


TEXTO VÍDEO. ASSISTA. 

O que fazer para salvar as abelhas brasileiras?



domingo, 13 de janeiro de 2019

Características de Ana Cristina Cesar ( DESENHO DE ROSE: ANJINHO PROTETOR DOS MEUS ALUNOS)

PESSOAL, ACHO QUE COMO ESTÁ PERTO DA HORA DA PROVA, NÃO VOU MAIS FAZER MATERIAL. LEIAM ISTO E ACHO QUE CONSEGUIRÃO ESCREVER SOBRE ANA CRISTINA CESAR.

LEMBREM-SE DO PROJETO ESTÉTICO NA OBRA DELA, OU SEJA, DA METALINGUAGEM, DO TEXTO QUE ANALISA O FAZER POÉTICO. 
LEMBREM-SE DAS ASSOCIAÇÕES COM FILMES, CANÇÕES ( DOS BEATLES) OU TRECHOS DE LIVROS - A GERAÇÃO Z NEM CONHECE... A BANCA DA UNICAMP VAI SE LEMBRAR DE NÃO OFERECER UM POEMA COM REPERTÓRIO DESCONHECIDO DA GALERA.
CREIO QUE O QUE VÃO PEDIR - TALVEZ- O SE LIGUE AO FAZER LITERÁRIO, À QUESTÃO DA MULHER; AOS TRECHOS FRAGMENTADOS QUE SERÃO POSSÍVEIS PARA UMA ASSOCIAÇÃO DE SENTIDO; AO DUPLO QUE ELA FAZ, ELA É ELA E ELA É OUTRA. AO NONSENSE.

VÃO PROVÁVEL USAR POEMAS EM QUE ELA CONVERSA COM ELA MESMA, NUM JOGO DE ESPELHOS.
A UNICAMP É BOA E NÃO COLOCARÁ NADA QUE NÃO ENTENDAM. AFINAL É IMPOSSÍVEL ANCORAR UM NAVIO NO AR.
AQUI UM TEXTO INTERESSANTE QUE PODERÁ AJUDAR.
BOA PROVA
BEIJOS DA ROSE

LEIAM ESTE TEXTO
"A poesia de Ana Cristina Cesar caracteriza-se por ser predominantemente confessional, mas o tom de intimidade, não nos deve enganar, pois é apenas um lance de sedução estética. A correspondência, realmente teve bastante influência sobre a sua dicção poética. Ela cria um verdadeiro jogo de linguagem: textos curtos, poemas fragmentados, cartas, páginas de diário. A poesia torna-se, desta forma, uma inquietante reflexão sobre o próprio fazer literário". (p. 22)
"Assim percebemos que o texto-colagem da poeta instaura um sujeito estilhaçado, uma memória construída através da subjetividade fincada no corpo coletivo da linguagem. Seu método de composição baseia-se na apropriação incessante de versos e trechos de outros escritores que ela distorce, desloca, alude, readapta, reescreve, parafraseia e parodia. É uma obra que faz uma reflexão constante sobre a natureza do literário". (p. 27)
"Os poemas de Ana Cristina Cesar, inserida no clima da geração 70, revelam, entre as muitas características que marcaram a produção poética daquela época, as seguintes: atração pelo insólito do cotidiano; ênfase na experiência existencial num momento especialmente difícil da história e da política brasileira; volta à primeira pessoa, à escrita da paixão e do medo como caminho eficaz no sentido de romper o silêncio e a perplexidade que tomaram de assalto a produção cultural no início da década; o sentido de asfixia, experimentado no cotidiano, mas trabalhado com humor; valorização do coloquialismo; culto do instante, eixo fundamental da nova poesia e do binômio arte e vida. / O binômio arte e vida era a consolidação de uma visão de mundo que valorizava o aqui e o agora: a ideia do presente, eliminando a ideia de futuro." (p. 55)
Textos extraídos da excelente obra de Arminda Silva de Serpa: Lições sobre asas e abismos: uma leitura da poesia de Ana Cristina Cesar. Fortaleza: Imprece, 2009.

sábado, 12 de janeiro de 2019

ROSE CONVERSA COM ENEAS SOBRE O POEMA DE A CRISTINA CESAR

O tempo fecha.
Sou fiel os acontecimentos biográficos.
Mais do que fiel, oh, tão presa! Esses mosquitos
que não largam! Minhas saudades ensurdecidas
por cigarras! O que faço aqui no campo
declamando aos metros versos longos e sentidos?
Ah que estou sentida e portuguesa, e agora não
sou mais, veja, não sou mais severa e ríspida:
agora sou profissional.

( A TEUS PÉS. ANA CRISTINA CESAR) 


Eneas – Rose, não entendo nada deste poema. Essa poetisa é meio louca?


Rose - Claro que não. Era lúcida demais. Fazia parte da turma que distribuía poemas xerocados ( mimeografados, melhor dizendo, usavam um aparelho parecido ao de Xerox), pois não queria passar pelas editoras. Era o tempo da ditadura, escrever era perigoso, havia censura, cadeia, tortura. Então os textos são herméticos, mais difíceis de compreensão. E, sobretudo, livres, meio nonsense.

Mas não deixam de lado os paradigmas dos modernistas... Preste atenção a isso!

Eneas- O que ela quer dizer com ‘ o tempo fecha’?

Rose – Eneas, nem tudo que aparece no texto de Ana Cristina precisa ser compreendido. Você busca pedaços de pano, ou faça assim como quem pega pulga. Se não compreender 'o tempo fecha' siga em frente na leitura.
MAS 'O TEMPO FECHA' PODE SIGNIFICAR QUE VAI CHOVER; OU QUE A SITUAÇÃO VAI FICAR CONFLITUOSA. 
EM POESIA OS SENTIDOS DANÇAM UNS SOBRE OS OUTROS. APREENDA O MAIS PRÓXIMO DOS OUTROS QUE VIRÃO E QUE FAÇAM UM OU OUTRO SENTIDO.

Perceba que o poema tem um jogo metalinguístico. Ela questiona o seu fazer poético. Esse é o ponto!

Eneas- Ela não tinha segurança em si? Do que escrevia?

Rose – Não é isso. Isso que você chama de insegurança faz parte de todos que são artistas e lidam com a construção da arte. Quem cria e tem consciência do que seja criar é inseguro. Mas há quem crie e nem pense muito pois não sabe bem teorias etc.

Esqueça ‘ o tempo fecha’ e avance...

‘Sou fiel os acontecimentos biográficos.
Mais do que fiel, oh, tão presa’

Perceba que ela busca seguir um método, parece que imposto a ela, que gosta e não gosta de ter regras. Sabe que ela se diferenciou dos amigos da chamada Geração Mimeógrafo, justo porque sabia muito sobre literatura. Fez cursos. E fez a PUC - e na PUC quem é escritor pode ficar um pouco confuso. A geração dela queria liberdade mas a PUC ensina que para escrever é preciso obedecer um método, ter consciência do fazer poético.

Perceba que aí ela mostra o seu fazer poético, assim como mostramos os bastidores dum programa de tevê. Sabe o lado do avesso de um bordado? Sabe o que é bordado? A geração z não sabe alguns tópicos do passado... rs
Ela abre seu engenho ao olho do receptor. Mostra o que pensa e no que pensa há sua técnica de escrever. Entendeu? É um jogo. Escrever é jogar pesado, meu caro.

Ela quer ser fiel à biografia. Nem sei de que biografia está falando. Não sabemos se é a dela. Mas ela quer essa fidelidade a x coisa. Porém, expõe que a fidelidade – talvez um ponto bom para a construção do texto que ela quer fazer – a prende, a tolhe, aperta.

Na sequência ela vem com os mosquitos e com as cigarras. Podemos pensar: será que quando ela escreveu isso estava no meio do mato? Parece que não pois tem saudades das cigarras. Mas o que exato essas metáforas apontam? Não perca a dimensão da conotação, Ana Cristina é toda conotação e raciocínio.

Amarre ao que veio antes: se biografias prendem, se mosquitos não largam... Daí as saudades das cigarras cujo som é ensurdecedor mas, quem sabe, mais soltos, livres? Líricos demais e livres líricos e livressssssss ( olha as cigarras cantando: sssssssssss)

Construir um poema tendo de obedecer à força pode ser chato e tedioso com ter um mosquito voando em torno de nós, Eneas.

Eneas – Mas, Rose, o que podem pedir na Unicamp sobre isso tudo?

Rose – Não sei bem. Pois acho o livro complexo para vocês da geração z. Podem pedir a metalinguagem, que é o poema que fala sobre o ato de fazer poema. Essa é a máxima que vejo neste texto que não tem sonoridade. Não tem o rato roeu a roupa do rei de Roma e nem VOZES VELOZES VELUDOSAS VOZES. FALTA MELOPEIA.

Eneas- o que é melopeia?

Rose – é o som de um poema. Os textos românticos são lotados de aliteração, assonância, rimas. Este texto não tem sonoridade ritmada. Ele é mais pensar o ato de escrever e imagens e mais imagens e algumas incompreensíveis, mas tudo bem. Poema não é só para compreender, pode bagunçar também. Essa do mosquito, por exemplo é metáfora evidente. Algo incômodo!

Creio que a Unicamp vai pedir isso, a construção do texto. Una figuras de linguagem umas às outras e você pega sentidos vários e possíveis.

Perceba aqui, Eneas, como o eu lírico, vamos falar Ana? A Ana joga-se ao ato de escrever, mas parece surpresa entre o desejo de se soltar e as amarras que aprendeu na PUC sobre o fazer poético: ‘’O que faço aqui no campo declamando aos metros versos longos e sentidos?’’

Eneas – Mas é isso, Rose, vão pedir uma compreensão mínima que eu faço, unindo imagens. Meio quebra-cabeça?

Rose – é isso.... Veja aqui: ‘’Ah que estou sentida e portuguesa, e agora não sou mais, veja, não sou mais severa e ríspida: agora sou profissional.’’.

Ela se cobra o sentir tão português ( Conhece português? Somos muito sentimentais, ora bravos ora chorões). Porque aprendeu que o poema, ainda que fale da dor, não é propriamente a dor mas a construção da dor.

Pessoa dizia que o poeta é o fingidor,finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente.

Ana Cristina trabalha justo essa consciência de que escrever vai além de queixar-se de dores, ou exultar alegrias.

Perceba que no final, já controlando a emoção e consciente de que texto é construção de sentido e forma etc escreve: ‘e agora não
sou mais, veja, não sou mais severa e ríspida:
agora sou profissional.’’

Ela sabe que ser profissional de escrita é dominar a linguagem e transformar a emoção em um construto feito um cata-vento.

Eneas – ai ai, Rose, estou preocupado com esta poetisa. Tomara não peçam ... amanhã na Unicamp.

Rose´- Pare com isso. Você é chatão.